Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

De acordo com o economista alemão Klaus Schwab, o mundo caminha para vivenciar uma quarta Revolução Industrial, a qual haverá mudanças no modo de se relacionar, trabalhar e estudar. Entretanto, hoje, já é possível observar como a educação tem se alterado, em comparação aos séculos anteriores, uma vez que modalidades de educação a distância têm aumentado a cada ano. Embora a educação a distância seja viabilizada em decorrência dos avanços tecnológicos, no Brasil, nem todos têm acesso a essas tecnologias, sequer à “internet”.

Primeiramente, é importante observar que, de acordo com o pensamento do educador Leandro Karnal, o fenômeno do ensino a distância já ocorre naturalmente em qualquer processo educacional em que há atividade de casa, uma vez que o estudante, sem a presença de um professor ou instrutor, em casa, tem de estudar por conta própria, ou seja, distante da instituição de ensino e de um orientador. Nessa perspectiva, a noção atual de EAD, em que há possibilidade de se ter o profissional de educação em casa, ao vivo, por meio de algum dispositivo, é possibilitada graças ao desenvolvimento da tecnologia, sendo assim uma evolução, não somente em relação aos processos de EAD através de rádio e TV, comuns no século XX, no Brasil, mas também à própria educação clássica.

Convém pontuar, ainda, que apesar de haver o desenvolvimento de recursos tecnológicos, a obten-ção desses dispositivos é limitado e seleto no Brasil, uma vez que há um complexo processo de desi-gualdade social, em que uns têm bens em excesso e outros nada têm. Com isso, embora a educação a distância facilite a formação de pessoas que têm menor poder econômico ou vivem em lugares mais afastados, muitos brasileiros não possuem dispositivos eletrônicos adequados para se ter uma aula com qualidade, e nem contam com o acesso à “internet” ou com um pacote de dados suficiente para assistir às aulas. Prova disso é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 30% da população brasileira, ou 60 milhões de pessoas, ainda não têm acesso a “internet”, o que impossibilita, por exemplo, o ensino a distância pelos mais pobres durante a pandemia do Coronavírus.

Nota-se, então, que embora o ensino a distância seja benéfico e mais viável devido à ascensão da tecnologia, ainda não é possível para milhões de brasileiros que não podem ter acesso à internet e a meios tecnológicos. Portanto, é fundamental que a Agência Nacional de Telecomunicações, em conjun-to com o Ministério da Cidadania, garanta o acesso à “internet” em todo o território nacional a todos os brasileiros, independentemente da condição social. Para isso, essas instituições devem oferecer incentivos às empresas privadas, diminuindo impostos e cedendo materiais para a extensão da rede, a fim de que todos tenham, finalmente, acesso à “internet”, e ,possivelmente, à educação a distância.