Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/08/2020

Segundo o site G1, no Brasil, o número de matrículas na graduação a distância representa 21% do total do ensino superior do país e esse dado tende a aumentar. É imprescindível destacar que apesar de todas as benesses, como a flexibilidade do tempo e os valores mais acessíveis das mensalidades, a sua expansão para outras modalidade de ensino é alvo de crítica. Sob esse viés, faz-se necessário compreender como pode ser lesivo a educação a distância(EAD), principalmente nos primeiros anos de socialização, bem como sua permanência em uma sociedade que assume uma postura cada vez mais egocêntrica.

É fundamental, em primeira análise, compreender que a educação tem papel indiscutível na exposição da vida social, ou seja, vai além do papel de escolarização. Segundo a Lei de Diretrizes e bases(LDB), a educação é um processo informativo e formativo, que objetiva o exercício da cidadania e qualificação para o âmbito laboral, sendo responsabilidade da família e do Estado. Desse modo, a modalidade EAD não oferece, em especial para as crianças,  aquilo que é imperioso, a prática de conviver com o diferente, aprender o que o cerco familiar oculta, tornando essa prática nociva ao convívio em sociedade.

Analisa-se, também, que a proposta da educação a distância, em uma época em que as pessoas estão cada vez mais insulares, narcísicas, não contribui para atenuação do problema. Ao tomar como base o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a partir da sua descrição da pós-modernidade, nota-se que há um  processo de fragmentação da vida humana, abandono do pensamento em termos de sociedade, isto é, as conexões estão se reduzindo a núcleos cada vez menores, individualizando-se. Desse modo, a educação presencial assume uma postura de minimizar esse isolacionismo, pois garante o contato com o outro, permitindo criar laços e conexões, aceitando aquilo que é divergente.

Urge, então, a necessidade de sanar os impasses trazidos com a ampliação do ensino a distância, em especial no que tange a educação infantil. Para isso, cabe os Ministério da Educação, encarregado de todo o sistema educacional, juntamente com especialistas em educação mostrar os perigos do EAD, alertando para a postura cada vez mais presente da população brasileira  pós-moderna. Isso por meio de um projeto de análise dessa modalidade de ensino, que serão expostos a câmara para a criação de lei que não permite esse tipo de educação para ensino primário e secundário, principalmente pelo papel formativo para vida social do estudante. Assim, com o tempo e apoio necessário do Estado, será atenuado cenário de isolamento exposto por Bauman, pois os discentes serão expostos à alteridade, aprendendo a assimila e agregar e não rechaçar.