Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/08/2020

Os primeiros registros da educação a distância (EAD) no Brasil datam de pouco antes do início dos anos 1900, quando já haviam anúncios em jornais de cursos via correspondência. Com o passar dos anos, essa modalidade de ensino migrou para o rádio e, hoje, atinge proporções antes inimagináveis com a internet. Nesse sentido, embora necessite de aperfeiçoamentos e incentivos, a EAD tem um papel de extrema importância, uma vez que promove a descentralização e difusão da educação.

Antes de tudo, é preciso dizer que o Brasil é um país de extensões continentais, fato este que dificulta a democratização do ensino. Nesse contexto, o sociólogo espanhol Manuel Castells, em seu livro “Sociedade em Rede”, afirma que o advento da internet permitiu a descentralização do conhecimento, o qual era restrito às instituições educacionais. Tendo isso em mente, barreiras geográficas e socioeconômicas são transpostas, haja vista que o espaço físico torna-se prescindível para a obtenção de informação e há, também, uma redução significativa dos custos. Dessa forma, evidencia-se que a EAD é uma aliada à difusão dos saberes, devendo ser sempre aprimorada e incentivada.

Entretanto, para que haja êxito, é fundamental que esse tipo de ensino seja pensado e articulado por especialistas na área de educação e tecnologia, objetivando, no mínimo, igualar a qualidade com a modalidade presencial. Sobre esse assunto, o sociólogo francês Edgar Morin defende uma transformação na função do professor, o qual deverá ser o “regente da orquestra”, guiando o fluxo dos conhecimentos e elucidando as dúvidas dos alunos. Isso porque as informações já estão todas disponíveis nos domínios da “world wide web”, cabendo ao educador desenvolver o senso crítico dos alunos para que saibam o que fazer com elas. Além disso, a EAD precisa ser constantemente incentivada, tanto para atender um maior número de pessoas quanto para continuar se aperfeiçoando, dado o seu papel na democratização da educação no país.

Portanto, o Ministério da Educação deverá, juntamente com especialistas das mais diversas áreas, lançar as bases da educação a distância no país, por meio de uma diretriz que estabeleça os critérios básicos os quais as instituições públicas e privadas deverão seguir, a fim de garantir a qualidade do ensino. Ademais, os governos federal e estadual devem incentivar essa prática, por intermédio de verbas direcionadas à criação e manutenção de cursos na modalidade à distância, de nível superior e técnico, com o intuito de expandir conhecimento por todo o Brasil.