Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 28/08/2020
O atual isolamento social, imposto pelo novo Corona Vírus, forçou a adoção de novas tarefas a distância, entre elas, a educação. Assim, torna-se indispensável a discussão de como as perspectivas de maior acesso e de maior otimização do tempo relacionam-se de maneira antagônica com a falta de estrutura do país e a rejeição desse método pela população.
Primeiramente, é imprescindível apontar que o princípio da educação a distância (EAD) garante um maior acesso a esse direito, uma vez que expande a área de ensino ao ambiente digital, não a limitando a um espaço físico. Entretanto, o IBGE apontou que, em 2018, 25% da população brasileira não possuía acesso à internet. A partir disso, ao mesmo tempo que garante uma maior ofertar da educação, essa modalidade de ensino é desafiada pela falta de estrutura no Brasil, a qual deve ser vencida se o objetivo é tornar esse método didático possível a todos.
Além disso, outra importante perspectiva do EAD é uma maior otimização do tempo, garantida, além da possível flexibilização da carga horária, pela economia do tempo que seria gasto no transporte para o ambiente de ensino, por exemplo. Apesar disso, a consolidação dessa nova atividade na sociedade constitui um desafio. Nesse sentido, o filósofo Pierre Bourdieu afirma que um “habitus” é criado por internalizações do exterior e externalizações do interior. Se a educação a distância, então, não estiver em abundância no meio social, a sua internalização como “habitus” será dificultada, logo, esse método tenderá a ser rejeitado pela sociedade.
Portanto, para que as perspectivas do EAD no Brasil sejam alcançadas, seus desafios devem ser vencidos. Assim, o MEC deve prover as estruturas necessárias para essa modalidade de ensino aos mais desfavorecidos, por meio do empréstimo de computadores e receptores de internet, para evitar que a falta de estrutura limite o acesso a esse ensino. Ademais, ele também deve fomentar a oferta dessa educação, permitindo que as instituições de ensino a ofereçam dentro de regras previamente estudadas, a fim de promover a absorção dessa prática na sociedade.