Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/09/2020

Rádio, televisão, fita de VHS, DVD: diversas foram as maneiras de disseminação do conhecimento de forma remota ao longo da história, chegando até a contemporaneidade com a popularização da internet. Entretanto, no Brasil, por mais que essa modalidade de ensino traga benefícios e facilidades para uma parte da população, ainda possui graves problemas quanto à difusão de seus conteúdos. A partir disso, faz-se necessário analisar como a pobreza e a falta de preparo dos docentes são um desafio para o sucesso da educação a distância (EAD).

É pertinente entender, de início, que, apesar do artigo 6º da Constituição de 1988 colocar a educação como direito de todos, a desigualdade social não permite o acesso de forma igualitária ao ensino a distância. Tal fato se dá em virtude da carência de aparelhos e equipamentos pertencentes às classes mais baixas, frente à abundância da elite, o que ocasiona plena formação desse último grupo, em detrimento do primeiro. Essas discrepâncias possibilitadas pelo capitalismo foram descritas por Milton Santos como consequências da Globalização como Perversidade, que é a sua real identidade, a qual gera oportunidades diferentes a classes sociais diferentes.

Faz-se necessário pontuar, ainda, que a falta de domínio das novas tecnologias por parte dos professores inviabiliza o EAD. Essa questão decorre, principalmente, da dificuldade dos docentes mais velhos com plataformas digitais e da falta de interesse da classe em geral com novos modelos de ensino-aprendizagem, como é colocado pelo Jornal da USP, o qual relata que boa parte dos professores não sabem de que maneira podem utilizar a tecnologia a seu favor para aumentar suas competências pedagógicas. A exemplo, tem-se o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), que necessitou realizar quatro meses de qualificação de seus docentes no período da pandemia do COVID-19 para ambientá-los ao mundo virtual, visto que eles não tinham um conhecimento prévio sobre essa nova realidade.

É imprescindível, assim, medidas efetivas que melhorem a atuação da educação a distância no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação (MEC) deve, em parceria ao Ministério da Economia, investir nas escolas e faculdades que migrarem para essa nova forma de ensino, por meio de 5% do PIB, viabilizando bolsas de estudos aos estudantes com menores rendas, com auxílios e tablets inclusos, além de instigar e capacitar professores ao formato EAD. Dessa maneira, será possível a disseminação de aulas de qualidade e comuns a todas as classes sociais, mostrando que o modelo pensado desde a época dos cursos nas rádios, no século XX, pode ser eficaz e democrático.