Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 17/09/2020
Até meados do século XX, a educação, no Brasil, estava restrita à elite, apenas os filhos dos mais abastados tinham acesso ao ensino básico e superior, sendo Getulio Vargas o primeiro governante a realizar reformas inclusivas nesse âmbito com a promulgação da Constituição de 1934. Entretanto, a dificuldade de acesso ao aprendizado não se encontra presente apenas no passado, afligindo, diariamente, parte dos brasileiros. Tendo isso em vista, apesar do ensino a distância representar uma alternativa à pandemia do Covid-19, este é seletivo, entregue a apenas uma parcela da população e, muitas vezes, de maneira defasada, tornando imprescindível o debate acerca desse assunto.
Em uma primeira análise, observa-se que, tal como teorizado por Milton Santos, o espaço geográfico está cada vez mais interligado pelos diversos meios de comunicação, contudo, nem todas as pessoas possuem pleno acesso a estes. Sob essa perspectiva, faz-se notória a grande disparidade em relação a facilidade de alcance dessas modernidades educacionais e, consequentemente, a um melhor aprendizado entre as variadas classes sociais, em que os segmentos mais ricos e elitizados são favorecidas com maiores oportunidades, ao passo que os carentes são relegados a segundo plano. Somado a isso, há também a necessidade de infraestruturas prévias, como o acesso à internet e computadores, que podem não estar disponíveis, uma vez que as regiões mais afastadas dos grandes centros ainda sofrem com a falta de condições básicas.
Por certo, também cabe ressaltar que, além do deficiente apoio pedagógico nesses novos moldes , a perda do contato direto entre os professores e alunos compromete o desempenho acadêmico destes, prejudicando a entrada no mercado de trabalho. Nesse contexto, segundo Sócrates, ter essa interação é fundamental, levando-o a abdicar constantemente dos livros e dedicar-se ao diálogo, já que somente assim conseguiria dar a luz ao seu conhecimento. Dessa maneira, embora o acesso à educação de qualidade seja um direito assegurado pela Constituição de 1988, este não abrange todos os indivíduos, evidenciando a negligência governamental e contribuindo para a superficialidade do conhecimento.
Portanto, a fim de levar internet e tecnologia a zonas periféricas, as prefeituras desses locais, juntamente com o Ministério da Infraestrutura, devem promover, associada à disponibilização de computadores aos estudantes menos abastados, a construção de melhores condições de distribuição desses recursos, por meio da maior destinação de verbas às localidades excluídas de tal. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, visando à maximização do ensino, reformular os métodos deste, além de elaborar medidas de atendimento virtual e de instrução dos educadores. Desse modo,a realidade dos distanciar-se-á da vivida anteriormente a 1934 e o aprendizado tornar-se-á mais eficiente. eigualitário.