Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 15/10/2020
Segundo o sociólogo Manuel Castells, o mundo atual é caracterizado pela “Sociedade em rede”, que permitiu a descentralização do conhecimento. Nesse sentido, nota-se que, no Brasil contemporâneo, essa nova dinâmica fez com que surgissem novas modalidades de aprendizado, como o ensino a distância (EAD) que, apesar de ser uma opção mais conveniente de formação educacional, apresenta barreiras no que diz respeito à universalização do acesso. Logo, para a resolução da problemática, é fundamental uma intervenção governamental.
É importante ressaltar, em primeiro plano, os benefícios da educação a distância. De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é responsável pelo pleno desenvolvimento individual, além de preparar o indivíduo para o exercício da cidadania e oferecer qualificação para o trabalho. Sob essa ótica, percebe-se que o acesso a esse direito básico proporciona mudanças no âmbito social e econômico. Tendo isso em vista, o EAD viabiliza uma melhora da qualidade de vida de mais pessoas, haja vista as mensalidades mais acessíveis e a flexibilidade do horário das aulas. Desse modo, esse modelo de ensino atua na elevação da condição socioeconômica dos brasileiros que antes não possuíam renda suficiente ou horário compatível com as aulas presenciais.
Ademais, vale destacar que a disparidade socioeconômica do país impede que essa categoria de transmissão do saber atinja o seu potencial máximo. Em 2019, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgou um relatório que aponta o Brasil como o sétimo país mais desigual do mundo. Nesse viés, constata-se que grande parte da população brasileira não tem condição financeira para adquirir os aparatos tecnológicos necessários para a realização do EAD. Dessa forma, essa parcela vulnerável economicamente é impossibilitada de obter qualificação profissional por meio do ensino a distância, cenário esse que evidencia a ineficácia governamental no que tange à democratização do acesso à educação.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de otimizar essa modalidade de propagação do conhecimento. Para tanto, com o objetivo de promover a formação educacional dos brasileiros, cabe ao Poder Executivo, por meio de parcerias público-privadas, fornecer todos os recursos essenciais - conexão à internet e computador - aos indivíduos que se encontram em vulnerabilidade econômica. Para fornecer tal auxílio, deverá ser realizada uma avaliação da renda mensal do interessado, com o fito de evitar que esse benefício seja concedido a pessoas que não necessitam. Assim, ocorrerá, de fato, a descentralização do conhecimento, conforme explicitado por Manuel Castells.