Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 23/09/2020
O modelo pioneiro do ensino à distância (EAD), feito por meio da troca de cartas, ocorria antes mesmo do século XX e foi gradativamente aprimorado com os avanços tecnológicos oriundos das revoluções industriais. Desta maneira, sua utilização foi se tornando cada vez mais comum, principalmente dentro do ensino superior, com o principal objetivo de democratização do acesso à educação. Entretanto, essa tentativa acaba se tornando falha pela baixa qualidade dessa modalidade de ensino e por questões psicossociais.
Em primeiro plano, tal ineficiência qualitativa está relacionada com pautas sociais e econômicas. A grande parcela dos alunos do EAD optam por esse modelo ou por não possuírem poder aquisitivo suficiente para pagar um ensino presencial, ou por razões geográficas e de administração de tempo. Consequentemente, por ter um custo menor, universidades que possuem uma mentalidade extremamente capitalista que visa apenas o lucro, acabam criando um curso deficitário que não apta bem os estudantes, gerando profissionais mal preparados para o mercado de trabalho. Logo, o intuito de diminuir desigualdades da educação acaba não sendo cumprido.
Em segundo plano, as questões psicossociais existem pela interdependência entre prática e ensino eficiente. Quando não há um real contato entre professores e alunos e o apoio pedagógico necessário, o aprendizado acaba se tornando superficial e majoritariamente teórico. Para Paulo Freire, esta superficialidade caracteriza um ensino bancário, que não visa o estímulo à consciência critíca do ser e não forma seres pensantes, mas sim seres técnicos, desumanizados e oprimidos. Por conseguinte, mais uma vez acaba ocorrendo a despotencialização das capacidades educativas.
Dado o exposto, medidas devem ser tomadas para que realmente haja uma democratização do acesso ao aprendizado. Para isso, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Economia, deveria aumentar a fiscalização e os pré-requisitos para o modelo EAD, por meio da liberação de mais verbas para esse feito, tendo como resultado uma qualidade maior nesta modalidade e profissionais mais bem capacitados, garantindo assim uma fácil entrada no mercado de trabalho.