Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 26/09/2020

No século XX, a Revolução Técnico-Científica-Informacional culminou no advento da internet, com o objetivo de estabelecer conexões a longa distância. Nessa perspectiva, o mundo globalizado inovou o âmbito tecnológico, impactando na educação. Entretanto, o ensino a distância, no Brasil, sofre empecilhos no que diz respeito ao avanço da tecnologia, visto a deficitária acessibilidade dos estudantes aos aparelhos tecnológicos e a falta de investimentos no setor. Posto isso, fazem-se necessárias medidas governamentais para combater a problemática no país.

À vista disso, infere-se que as disparidades sociais como empecilhos ao ensino virtual. Nesse viés, consoante ao filósofo francês Pierre Bourdieu, o qual afirmar que a educação reproduz os contrastes da sociedade, ocasionando, assim, um descompasso educacional entre os alunos de estratos sociais distintos. Sob essa perspectiva, com a pandemia do coronavírus, na qual as escolas adaptaram-se ao EAD, os estudantes de baixa renda são prejudicados, pois estão inseridos em um contexto desigual, haja vista a má distribuição de renda, a qual impossibilita a aquisição de aparatos digitais, como tablets. Sob essa óptica, perceber-se que não há a democratização do acesso ao ensino a distância no Brasil, concretizando-se a afirmação de Pierre Bourdieu.

Outrossim, é válido postular os ínfimos capitais designados a educação virtual. Sob esse pressuposto, destaca-se a perspectiva de Steve Jobs, de que a tecnologia é capaz de mudar. Seguindo esse raciocínio, precária estrutura do ensino EAD contrapõem a afirmativa mencionada, tendo em vista que essas escolas visam apenas ao lucro, tornando-se, desse modo, uma “máquina de diplomas”. Assim sendo, o contexto apresentado não visa à melhor qualificação do aluno, para que, assim, sejam profissionais aptos a realizar suas funções. Dito isso, a carência de capital dificulta o desenvolvimento do ensino a distância no Brasil e, consequentemente, a capacitação dos estudantes.

Destarte, é evidente a necessidade de medidas governamentais para conter o cenário apresentado. Sendo assim, é fulcral ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Economia, a criação do programa “Estudando em Casa”, esse deverá oferecer aparelhos tecnológicos, como tablets, aos discentes de baixa renda, por meio de parceria com empresas locais, com o intuito de democratizar o ensino a distância. Em adição, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em conjunto com as instituições que ofertam cursos virtuais, deve elaborar um projeto com a proposta de melhorar a estrutura desses cursos, a fim de formar profissionais mais capacitados. Dessa forma, será possível estabelecer-se conexões a longa distância, como propôs a Revolução, do século XX.