Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 27/09/2020

Em 1975 foi fundada a TV Educativa, emissora que visava a ação integrada das diversas emissoras de rádio e televisão. A TVE tinha o intuito de levar a educação a todos os lugares do Brasil. Paralelamente, no que concerne, a educação a distância progrediu de modo que essa forma de ensino já é realidade para muitos brasileiros. Entretanto, em contraste com a fácil acessibilidade a educação advinda do ensino a distância, a exclusão digital proporcionada pelas desigualdades regionais apresentam-se como entraves que afetam grande parcela populacional.

Deve-se destacar, primeiramente, a importância do EAD na construção de um ensino inclusivo. No que tange a isso, Pierre Lévy, renomado filósofo francês, em seu seu conceito de sociedade hiperconectada a caracteriza pela “ubiquidade das tecnologias informacionais, na qual os indivíduos se encontram num estado de hiperconexão no ciberespaço”. Nesse sentido, nota-se que essa hiperconexão favorece a expansão da educação, visto que o fácil acesso e flexibilidade nos horários de aprendizado contribuem para que mais pessoas se interessem pela modalidade. Ademais, os preços das mensalidades dos cursos online mostram-se menos onerosos quando comparados as despesas advindas do ensino presencial, dado que os cursos exigem menos infraestrutura por parte das instituições de ensino além do aluno não precisar gastar com deslocamento.

Secundariamente, cabe salientar que a educação a distância, apesar de estar se popularizando de forma a transpor barreiras, apresenta um caráter excludente mediante a desigualdade social e econômica de várias regiões brasileiras. Sob esse prisma, ainda citando Pierre Lévy “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Dessa maneira, o ensino online não pode ser considerado democrático, haja vista as regiões desfavorecidas do país que carecem de infraestrutura básica, como saneamento e luz elétrica, sendo imperativo a indigência de internet, computadores e aparelhos que se adequem ao dinamismo dessa modalidade. Sendo assim, tal carência acarreta na falta de uma capacitação adequada no que concerne o ambiente virtual.

Em síntese, é necessária a adoção de medidas que atuem de modo a amenizar os desafios relacionados ao EAD. Para tal, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve promover projetos de ação que levem a internet para essas regiões, por meio de incentivos fiscais a operadoras, a fim de mitigar a exclusão digital do EAD, caminhando, dessa forma para uma educação mais democrática. Ademais, cabe ao Ministério da Educação desenvolver bolsas de auxílio tecnológico, a fim de incentivar a expansão do ensino online equiparando a população que não pode pagar por esses aparelhos.