Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/12/2020

O advento da internet, celebrado por Gilberto Gil com euforia em “Pela Internet”, trouxe consigo aplicações nunca antes cogitadas. Nesse sentido, destacam-se aquelas que tangem à educação, cuja popularidade lhe rendeu a disseminada sigla EAD (Educação à Distância). Afinal, apesar de apresentar muitos benefícios, tal modalidade requer, igualmente, a superação de desafios.

Precipuamente, a EAD apresenta vantagens ao contemporâneo. Em outras palavras, diante de um Brasil inserido na dinâmica da globalização, na qual é comum se reclamar da “falta de tempo”, a flexibilização proporcionada pela ferramenta é decisiva. Assim, somado às mazelas nacionais, o cidadão brasileiro médio agrega tarefas domesticas e o trato dos filhos com um demorado trajeto entre o local de trabalho e a residência. Logo, se mostra crucial anular um deslocamento adicional ao local de estudo, visto que a educação não perde relevância sob um mercado exigente por qualificação. Ademais, as baixas mensalidades do ensino remoto aumentam o interesse de uma República ambientada com o virtual (o país é um dos que mais acessa redes sociais, segundo pesquisas das próprias plataformas) e que não deve ficar na dianteira de nações, como a Noruega e Canadá, avançadas na implantação da ferramenta.

Entretanto, ela impõe desafios. Socialmente, a privação de 20% dos lares brasileiros de acesso à internet, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e o contraste de ambientes domiciliares calmos e organizados- requisitos à concentração requerida por aulas virtuais- com milhões de casas munidas de poucos cômodos, mas vários habitantes evidenciam tais entraves. Vale ressaltar, ainda, a dependência de inúmeras crianças da merenda escolar, fato que também anula a universalização do modelo. Já eticamente, questões como a quebra da socialização secundária imposta pela divisão das telas descaracterizam o ser humano como animal social, o qual demanda contato e trocas afetivas presenciais no processo de formação de laços afetivos e culturais. Portanto, superados os dilemas éticos, as desigualdades não devem privar o Brasil do desenvolvimento do modelo educacional discutido- basta a desídia imposta às escolas comuns.

Em suma, a EAD possui muitos pontos benéficos, os quais devem ser debatidos junto dos vários obstáculos. Comprometidamente, os governantes, por meio de parcerias público-privadas, urgem garantir instrumentos de acessibilidade às redes, como a instalação de pontos de “wifi” gratuitos que cubram a totalidade de municípios, para que a República goze das benesses da educação virtual. Só assim, o Brasil dará mais um passo rumo à cidadania plena.