Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/09/2020

No século XX, a Revolução Técnico-Científica-Informacional culminou no advento da internet, com o objetivo de estabelecer conexões à longa distância. Nessa perspectiva, o mundo globalizado inovou o âmbito tecnológico, impactando na educação. Entretanto, o ensino a distância no Brasil, sofre empecilhos no que diz respeito ao avanço da tecnologia, visto a deficitária acessibilidade dos estudantes aos aparelhos tecnológicos e a falta de investimentos nacionais no setor. Posto isso, fazem-se necessárias medidas governamentais para combater a problemática no país.

À vista disso, infere-se as disparidades sociais como empecilhos ao ensino virtual. Nesse viés, consoante ao filósofo francês Pierre Bourdieu, o qual afirmar que a educação reproduz os contrastes da sociedade, tal cenário reflete-se em um descompasso educacional entre os alunos de estratos sociais distintos. Sob essa perspectiva, com a pandemia do coronavírus, na qual as escolas adaptaram-se ao EAD, os estudantes de baixa renda são prejudicados, pois estão inseridos em um contexto desigual, haja vista a má distribuição de renda, a qual impossibilita a aquisição de aparatos digitais, como tablets. Sob essa óptica, percebe-se que não há a democratização do acesso ao ensino a distância no Brasil, assim concretiza-se a afirmação de Pierre Bourdieu.

Outrossim, é válido postular os ínfimos capitais designados à educação virtual no Brasil. Sob esse pressuposto, o ensino EAD apresenta uma estrutura precária, tendo em vista que essas escolas não investem em mecanismos que visem à melhor capacitação dos estudantes, como uma central de atendimento para dúvidas do alunos referentes às aulas. Assim sendo, o contexto apresentado visa à lucratividade em detrimento da profissionalização dos discentes, desse modo, essas escolas tornam-se uma “máquina de diplomas”. Dito isso, a carência de capital destinadas ao desenvolvimento do ensino à distância no Brasil é prejudicial ao mercado de trabalho, tendo em vista que os profissionais não estão totalmente aptos a realizar suas funções, visto a deficitária capacitação.

Destarte, é evidente a necessidade de medidas governamentais para conter o cenário apresentado. Sendo assim, é fulcral ao Ministério da Educação – responsável pelas execução de políticas educacionais –, em parceria com o Ministério da Economia, a criação do programa “Estudando em Casa”, esse deverá oferecer aparelhos tecnológicos, como tablets, adquiridos por meio de parcerias com empresas, aos discentes de baixa renda, com o intuito de fornecer os mecanismos necessários para os alunos terem acesso ao EAD. Tal ação tem como fito democratizar o ensino a distância e reverter o descompasso educacional afirmado por Pierre Bourdieu. Sendo assim, será possível estabelecer-se conexões a longa distância, como propôs a Revolução do século XX.