Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 30/09/2020

A obra “Os Retirantes”, de Candido Portinari, denuncia as desigualdades sociais no ano de 1944. Ao se focar nos desafios do ensino básico a distância no Brasil, a pintura de Portinari se faz atual no que tange a discrepância entre as classes estudantis. Ora, um processo fruto da pífia atuação Estatal, balizado na carência de formação tecnológica do corpo escolar.

Tal problemática urge, a priori, da insuficiência do Estado no tocante a incentivar as aulas a distância. Na dialética de Aristóteles, o Estado tem como função preservar as relações de igualdade em uma sociedade. Partindo dessa assertiva, a atribuição do pensador grego não se estabelece na conjuntura brasileira, uma vez que o Poder Público neglicencia o cenário de caos e não disponibiliza, sobretudo para as classes menos abastadas, recursos como, internet de qualidade, computadores e tablets, tendo por conseguinte, o aumento da assimetria entre as classes. Logo, a insólita ação  do Governo descortina a superfície do abismo social.

Atrela-se ao exposto, a escassa destreza dos profissionais da educação no que alude à produção de aulas virtuais. Na óptica de Pierre Lévy, “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Na esteira desse pensamento, aulas que tradicionalmente eram ministradas na lousa e no papel tiveram que se adaptar ao “novo normal” devido à pandemia do coronavírus, em razão desse contexto,  os educadores enfrentaram/enfrentam a complexidade de elaborar lições online, tornando-se “excluídos” como apregoou Lévy. Assim, colhe-se o limbo dessa deficiência técnica.

Repensar, portanto, esse quadro, torna-se fulcral a atuação de dois agentes. Cabe ao Poder Público ampliar a oferta de aulas aos alunados, por meio de aulas transmitidas via rádio e televisão, com o fito de minorar a problemática da falta de internet e computadores; Ademais, a escola deve promover a formação técnica dos educadores, por intermédio de oficinas virtuais com especialistas em produção de aulas online, com o escopo de sanar essa lacuna digital - para que os alunos  não sejam “Retirantes”.