Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 04/10/2020

Consoante a Constituição Federal de 1988, a educação é direito de todos e dever do Estado. Todavia, ainda que garantido pela Carta Cidadã, muitos brasileiros não tem acesso à educação de qualidade. Tal cenário deve-se, entre outras causas, pelo elevado custa das instituições de ensino e pelo distanciamento dos conhecimentos ensinados e a realidade social dos indivíduos. Nessa perspectiva, o ensino a distancia (EAD) pode ser uma ferramenta importante para superar esses desafios.

Mormente, vale ressaltar que o acesso à educação de qualidade e a condição financeira do estudante estão diretamente relacionados. Diversos são os casos em que as mensalidades das escolas e universidades superam o ganham mensal do brasileiro médio, ou seja, o salário mínimo. Nesse retrato, o EAD é um instrumento fundamental, pois, segundo dados do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA), os cursos presenciais possuem um custo 30% superior quando comparados com a modalidade a distancia. Logo, o EAD facilita o acesso à educação, visto que reduz as barreiras econômicas.

Ademais, associado às dificuldades financeiras, o distanciamento do cotidiano daquilo que, de fato, é ensinado nas escolas é um importante impasse. De acordo com o educador Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação deve ser libertadora e não bancária. Em outras palavras, ela deve dialogar com a realidade, no intuito de fornecer instrumentos que possibilitem a solução de problemas de um determinado grupo social. Nesse cenário, com o uso da internet, o EAD possibilita que uma gama de realidades sejam comtempladas, cada uma com a sua particularidade, rompendo, assim, a ideia de depósitos de saberes pré-estabelecidos por um certo grupo social.

Infere-se, portanto, que o EAD tem papel importante no acesso à educação de qualidade. Logo, o Ministério do Desenvolvimento, por meio de parcerias com as secretarias de Educação, deve ampliar o acesso à internet, a fito de expandir a modalidade EAD para regiões menos abastadas. Essa ampliação deve ocorrer mediante incentivos fiscais para que as empresas possam instalar redes de banda larga em locais que não possuem internet. Desse modo, a educação estará disponível para mais indivíduos e os direito garantido pela Carta Magna será efetivado.