Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 03/10/2020
Em 2020, a pandemia do COVID – 19 afeta toda a população mundial, inclusive o povo brasileiro. Um dos aspectos que mais sofreu com os impactos desse fator foi a educação, que passou a ser exercida à distância por diversas unidades educacionais. Esse acontecimento trouxe à tona a discussão sobre a implantação definitiva da educação à distância, que é questionável, devido às dificuldades de construir o conhecimento por esse meio.
Primeiramente, cabe ressaltar que o ensino remoto não apresenta as mesmas possibilidades integrativas do aluno que existem no meio presencial. Esse fator é de suma importância, pois o verdadeiro conhecimento não é transmitido, e sim construído. De acordo com o educador Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do oprimido”, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua própria produção, de forma que as experiências dos alunos sejam valorizadas. Portanto, a educação à distância dificilmente substituiria a presencial, já que essa possibilita a realização do ensino dentro das esferas sociais e pedagógicas.
Além disso, a realidade da sociedade brasileira, extremamente desigual, é um empecilho para a adoção do ensino à distância, já pesquisas realizadas pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação afirmam que cerca de 30% dos domicílios no Brasil não possuem acesso à internet. Portanto, a escolha da educação à distância como método de ensino oficial não seria acessível a todas as crianças e adolescentes. Dessa forma, esse fator se opõe ao Artigo 56 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura que esses “possuem direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”.
Dessa forma, é nítido que a educação à distância não possui meios de fornecer a qualidade da educação presencial, e muito menos ser mais acessível. Por conseguinte, cabe ao Poder Público, por intermédio do Ministério da Educação, garantir a estabilidade do ensino presencial, que deve ser garantida por meio da inserção das tecnologias digitais apenas com a finalidade de potencializar o modelo de ensino vigente. Assim, os alunos serão muito melhor beneficiados do que com a implementação de um modelo de ensino remoto fixo.