Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 03/10/2020

Maior flexibilidade, baixo custo, amplo acesso a conteúdos digitais. Essas são algumas das perspectivas que a educação a distância oferece. Embora capaz de modernizar o ensino e promover a inclusão à educação no Brasil, o ensino a distância (EAD) ainda é alvo de preconceitos e limita-se a certos grupos sociais. Nesse sentido, esses desafios devem ser superados, sendo o Governo responsável por reduzir a exclusão digital e a sociedade por assimilar novas formas de aprendizagem.

O modelo tradicional de educação, com o professor a frente da sala de aula, representando o detentor de todo o conhecimento, é o que impera na sociedade brasileira. Entretanto, tal visão não acompanha as rápidas inovações no campo tecnológico. Para o pensador Pierre Lévy, o ciberespaço constitui-se de uma inteligência coletiva, isto é, de compartilhamento de conhecimento entre diversos indivíduos, tornando o ensino mais enriquecedor. Assim, segundo ele, a educação a distância pode ser o início de uma reconfiguração do processo de aprendizagem. Ademais, essa modalidade desenvolve habilidades tecnológicas importantes para o atual mercado de trabalho, contestando a ideia preconceituosa de que o EAD possui qualidade inferior.

No entanto, a exclusão digital de uma parcela mais pobre da população se configura como um entrave às possibilidades de usufruir do ensino a distância. De acordo com a ONU, o acesso à internet é um direito humano do século XXI. Dados do IBGE, entretanto, mostram que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à web. Além disso, se uma vez instalada a rede, ainda pode faltar aparelhos eletrônicos, considerados de alto custo, para a conexão. Destarte, essa situação favorece o processo histórico de desigualdade à educação no país.

Portanto, compete ao Ministério da Educação (MEC) promover a capacitação profissional de professores para o ensino a distância, por meio de cursos gratuitos em centros culturais que abordem as habilidades tecnológicas necessárias, a fim de melhorar a qualidade do ensino, contribuindo para o fim do preconceito pela sociedade. Soma-se a isso, a atuação do MEC em ampliar o acesso à internet, pelo intermédio do aumento de subsídios direcionados à internet popular de banda larga e à compra de aparelhos eletrônicos, visando, então, diminuir a exclusão digital.