Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 04/10/2020

A modalidade de Ensino a Distância surgiu no Brasil em 1904, sob a forma de curso de datilografia por correspondência. Contudo, com o advento de tecnologias e ferramentas modernas, novos canais possibilitaram a expansão da metodologia EaD, o que fez surgir novas perspectivas para a democratização do ensino, mas também expôs desafios para uma educação de qualidade.

Sabe-se, em primeiro plano, que, a educação, direito instituído na Carta Magna de 1988, não é acessível de forma equitativa no Brasil, o que pode ser amenizado pelo acesso ao Ensino a Distância. Nesse contexto, em um país de dimensões continentais, como o Tupiniquim, a modalidade EaD permite um ensino igualitário ao longo de toda a extensão territorial, pois alunos de diferentes localidades têm acesso à aula ministrada por um mesmo professor. Além disso, de acordo com dados da OCDE, um cidadão brasileiro com ensino superior recebe o dobro do salário em comparação a outro que completou apenas o ensino médio. Dessa forma, a graduação é uma forma de ascensão social, que, a distância, pode ser disponibilizada para pessoas que não a obteriam, seja por uma carga horária de trabalho que as impossibilitaria de cursar a educação presencial, ou seja por dificuldades de mobilidade urbana, que cerceariam o acesso físico a uma instituição de ensino.

Constata-se, ainda, desafios que permeiam a Educação a Distância, e que devem ser considerados ao delimitar sua abrangência. Nesse sentido, consoante a Katarina Tomasevski, a educação é chave para abrir outros direitos humanos. Assim, o relacionamento presencial no espaço escolar coopera para a formação da cidadania, pois tanto contribui para a convivência e aceitação das diferenças, como permite um espaço de afirmação de minorias no ambiente estudantil. Outrossim, conforme um estudo realizado pela Microsoft, o tempo de atenção plena na era digital é diminuto, o que interfere na concentração de uma pessoa. Por conseguinte, se alocado na metodologia de EaD, o estudante estará exposto a um ambiente propício a distração, pois ao usar um celular ou computador como canal de ensino, é mais provável que acesse ferramentas não pertinentes à aula. Por fim, a falta de acesso à internet é outro desafio relevante, pois, de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet,  30% da população ainda não tem acesso a esse pré-requisito para acompanhar aulas online.

Dado o exposto, portanto, é necessário que o Governo Federal, em parceria com o IBGE, identifique as principais áreas sem acesso à internet, para que desenvolva projetos de incentivo fiscal que possibilitem o alcance da educação por meio de pacotes de dados mais acessíveis. Finalmente, a sociedade civil deverá pressionar o poder público para que o acesso ao ensino presencial também seja garantido, e ambas modalidades cooperem para a expansão do ensino por toda a extensão territorial.