Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 01/11/2020

Trem, avião, internet. Essas são algumas das invenções das Revoluções Industriais responsáveis por facilitar o deslocamento por grandes distâncias e pela disseminação de informações pelo planeta. Por conseguinte, muitos se beneficiaram dessas inovações e conseguiram aproveitar a flexibilidade que elas proporcionam para aprender, mas nem todos têm a mesma oportunidade. Sob tal ótica, a educação a distância (EAD) no Brasil é muito importante para a ampliação do ensino, porém encontra dificuldades para o seu pleno aproveitamento, como a desatenção dos alunos e a desigualdade.

Inicialmente, a falta de disciplina é um grave problema para aqueles que estudam em casa. Em consonância com Zygmunt Bauman, vive-se a “Modernidade Líquida”, a qual é caracterizada pelas constantes e rápidas mudanças, que se estendem para a forma como os indivíduos agem, sempre em busca de uma nova fonte de prazer e relaxamento. Diante disso, o estudo autorregulado no ambiente domiciliar, que antes era o espaço de lazer e descanso, é extremamente difícil para aqueles que têm problemas de concentração ou hiperatividade, pois essas pessoas serão atraídas para tarefas menos estressantes. Nesse sentido, a modalidade do EAD não é uma alternativa viável para todos e pode acarretar em prejuízos de aprendizagem quando comparada ao ensino presencial.

Outrossim, enquanto para alguns o ensino remoto é menos eficiente, para outros ele nem mesmo é uma opção a ser cogitada. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25% dos brasileiros ainda não têm acesso à internet em 2020. Dentre esses, 41% alega não fazê-lo por não ter os conhecimentos necessários. Dessa forma, essa expressiva parcela da sociedade encontra-se totalmente alheia da escolha de realizar ou não aulas e cursos “on-line”, porquanto ou não possui recursos financeiros ou a instrução necessária. Dessarte, a desigualdade social no Brasil é um fator limitante para a disseminação do EAD e as suas vantagens ficam restritas aos privilegiados.

É mister, portanto, tomar medidas que atenuem as dificuldades de aprendizagem e acessibilidade da modalidade de ensino digital. Logo, cabe ao Poder Executivo federal promover uma ampliação do uso da internet no país, por meio da criação de um vale que deverá ser usado na compra de um aparelho celular e na contratação de um plano de dados móveis, benefício esse que estará vinculado ao Bolsa Família e auxiliará as famílias cadastradas nesse programa. Ademais, os cursos que oferecerem o EAD deverão ser obrigados a fornecer uma semana gratuita de testes dentro da plataforma para os alunos. Espera-se, assim, reduzir o número de cidadãos que não conseguem usufruir do aprendizado remoto e assegurar o direito de arrependimento em caso de não adaptação a ele.