Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Como indica Pierre Levy, sociólogo e pesquisador do ramo de ciências da comunicação e informação, o advento da revolução tecnológico-informacional do final do século XX e da nova cultura criada pela internet exerce influência direta no processo educacional. É nesse contexto de revisão das bases do ensino que o dilema da educação a distância entra, visto que, mesmo fornecendo flexibilidade e certa independência intelectual, entra em contraste com a situação da educação brasileira e do acesso à internet no país.
Primeiramente, a introdução intensiva da educação a distância requer um reforma geral que vai de encontro à atual situação do ensino no Brasil. Seriam necessárias equipes especializadas no tratamento com os alunos online, além de capacitação de professores, tanto para utilizar as ferramentas quanto para acolher os estudantes sem contato direto. Estes esforços são incompatíveis com a realidade observada nas escolas, cujas verbas são insuficientes até mesmo para garantir uma infraestrutura básica.
Além disso, não é possível que a transição chegue a todos, visto que o Brasil é um país desigual em acesso à rede informacional e tecnológica. Este fato é ilustrado pelo projeto de regionalização técnico-informacional dos geógrafos Milton Santos e Maria Silveira, segundo o qual o país é dividido em quatro Brasis diversos em acesso à tecnologia. A situação é evidenciada também pela exclusão digital de cerca de 30% da população segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os dados mostram que essa nova forma de educação não chegará a todos.
Como todos devem ter o direito às mesmas oportunidades educacionais assegurado pela constituição federal de 1988, são necessárias intervenções nas fontes de desigualdade no ensino presencial para posteriormente espalhar a possibilidade do ensino à distância. O ministério da educação, em parceria com secretarias de ensino, deve promover projetos de reestruturação de unidades de ensino contínuos e gradativos. Desta forma, no futuro, a educação a distância poderá ser instalada aos poucos, mas apoiada por um ensino presencial de qualidade para os que não puderem ter acesso a esta estejam resguardados.