Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 07/10/2020

A educação a distância adquiriu um grande suporte televisivo com o projeto SACI (Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares), criado em 1974, responsável por transmitir aulas e entretenimento de caráter estudantil via satélite, visando estabelecer uma democratização educacional no mundo. No entanto, percebe-se que o ideal de aulas a distância com qualidade e eficiência está distante da realidade de um período marcado por uma pandemia, já que o novo coronavírus provocou a paralisação de aulas presenciais ao redor do globo. Nessa conjuntura, o Brasil hodierno viver uma crise para assegurar uma educação a distância democrática em seu território, uma vez que o não acesso à internet e a falta de investimentos em recursos pedagógicos são as principais causas desse impasse.

Em primeiro lugar, sabe-se que a problemática do acesso à internet tem se tornado um questão em pauta no país. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aproximadamente 46 milhões de brasileiros não possuem internet residencial. Esse dado evidencia o despreparo estatal para garantir uma educação a distância de qualidade para todos os cidadãos, visto que as circunstâncias dos tempos da COVID-19 configuram uma crise no estabelecimento de aulas presenciais. Desse modo, torna-se perceptível que a precariedade de materiais educativos fora do mundo virtual agrava os entraves para a democratização do ensino no Brasil.

Paralelamente, o filósofo Jeremy Bentham defende, a partir da ética utilitarista, que as ações sociais devem ser pautadas no caráter pluralista, com o intuito de promover o benefício da maior quantidade possível de cidadãos. Entretanto, ao analisar a condição de muitos estudantes, verifica-se a não efetivação desse pressuposto no Brasil, visto que a falta de investimentos em recursos pedagógicos, como a disponibilização de livros gratuitos e aulas em TV aberta, é um dos principais fatores responsáveis pela desorganização no sistema educacional brasileiro. Nesse contexto, nota-se que as instituições de educação pública abdicam de suas principais responsabilidades para concentrar traumas emocionais nos estudantes.

Portanto, é mister que o Ministério da Educação crie políticas de democratização do ensino capazes de especificar a importância da educação em momentos de pandemia, por meio de campanhas publicitárias e aulas diárias com professores capacitados no rádio e na TV aberta em horário nobre, para que os alunos possam refletir sobre as questões essenciais do ensino público. Ademais, cabe ao Governo Federal investir na disponibilização de livros didáticos em escala nacional via Correios, por intermédio de verbas financeiras, para que haja um processo harmônico entre os alunos a as instituições públicas. Dessa forma, será possível estabelecer uma realidade próxima ao projeto SACI.