Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 11/10/2020
A canção “Que país é esse?”, escrita por Renato Russo, denota, em seus versos, traços de uma nação de cunho segregador, em que os efeitos da globalização não são unânimes, principalmente, no que tange à educação. Fora da ficção, nota-se que tal cenário corresponde à realidade brasileira, uma vez que há desafios quanto à educação a distância, na medida em que, não só verifica-se a restrição dessa modalidade de ensino, mas também a ausência da cultura de autoaprendizagem no país.
Em primeiro aspecto, é fundamental compreender que a região Sudeste do Brasil dota de uma concentração de renda proveniente de um contexto histórico - ciclo do ouro e clico do café - já que as riquezas oriundas desses produtos ficaram, majoritariamente, limitadas a essa região. Nesse contexto, é perceptível a existência de uma conjuntura desigual no país, visto que, não é a integridade populacional que detém acesso à internet e, assim, restringe-se também a educação a distância. Por conseguinte, acentua-se a desigualdade social, uma vez que aqueles que não usufruem, de forma plena, desse ensino têm a ascensão social comprometida, pois não possuem as mesmas oportunidades. Dessa forma, nota-se que essa modalidade de ensino fere os princípios da Constituição, a qual determina que todos, sem distinção, devem ter o pleno acesso à educação.
Paralelo a isso, é perceptível que o ensino contemporâneo é embasado em preceitos iluministas, isto é, em um modelo de aprendizagem etilista, como também centrado na figura do professor, sem a presença da cultura de autoaprendizagem. Sob essa ótica, observa-se, no Brasil, alunos que apresentam dificuldade em estudar sozinhos, ao acarretar, posteriormente, na formação de indivíduos com defasado senso crítico, além de esses enfrentarem empecilhos no âmbito laboral, posto que não terão o conhecimento exigido pelo mercado de trabalho. Nesse viés, segundo a perspectiva do sociólogo britânico Marshall, somente alcança-se a cidadania por intermédio da garantia dos direitos sociais, civis e políticos, entretanto o “EAD” não assegura a liberdade de expressão nem a efetiva participação popular e política, o que prejudica a cidadania defendida pelo sociólogo.
Enfim, com o intuito de que a música “Que país é esse?” deixe de representar a realidade do Brasil, medidas são precisas. A priori, urge que o Ministério da Educação, em sincronia com o Poder Executivo, crie centros de informática, especialmente em bairros periféricos, cuja estrutura seja voltada para aqueles que não detêm o acesso à internet, além de promover pesquisas que examinem a qualidade do ensino ofertado. A posteriori, isso só será possível por meio da inserção de professores aptos a tirar dúvidas dos alunos, a fim de que haja a democratização do acesso ao ensino a distância, o qual deverá remodelar-se, ao priorizar a qualidade.