Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 14/10/2020

A imprensa, inventada por Gutenberg, tinha como objetivo promover o acesso à informação de forma eficiente e democrática para a sociedade. Paradoxalmente, ocorre o inverso do citado no Brasil, pois há o descaso estatal com a distribuição de pontos de conexão móvel pelo país. Desse modo, a desigualdade e a exclusão social refletem na educação a distância, pois o acesso a equipamentos tecnológicos e a redes de conexão são desiguais na maior parte do território brasileiro.

Em primeira instância, a concentração desigual de renda entre as regiões brasileiras intensificam o processo de desigualdade social, pois as porções sudeste e sul apresentam maior desenvolvimento industrial. Assim, os alunos das redes estaduais nas regiões norte e nordeste apresentam maiores dificuldades no acesso às aulas remotas por não terem estruturas adequadas, segundo o apresentado em setembro de 2020 pelo noticiário Jornal Nacional. Nessa conjuntura, o maior desenvolvimento econômico de algumas regiões em detrimento de outras expressa a falha de planejamento estatal na distribuição de renda pelo território e a intensificação da desigualdade.

Em segunda análise, segundo o ideal “American Way of Life”, que expressa a priorização do acúmulo de capital acima da ética, a nação brasileira apresenta o viés individualista, pois há uma parcela da população que possui privilégios garantidos pela concentração de capital. Nessa ótica, os alunos das redes de ensino privado possuem uma melhor estrutura para a continuação das aulas via remota, segundo o apresentado em agosto de 2020 pelo aplicativo de informação G1. Logo, há o desequilíbrio em relação a preparação destes com outros indivíduos de redes estaduais para o ingresso, por meio de exames intelectuais, no mercado de trabalho e nas instituições de ensino superior.

Portanto, é mister a criação de políticas públicas para sanar o avanço da desigualdade social no sistema de educação a distância brasileiro. Então, o Ministério da Educação, em conjunto com as prefeituras, deve propôr a diminuição da taxa de impostos para empresas privadas que ajudassem financeiramente na distribuição gratuita de redes móveis e de aparatos tecnológicos para os alunos das redes públicas de ensino que não possuem o acesso à internet e o consequente acesso as aulas. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação é a proposta mais eficiente para gerar transformações sociais, logo, a sociedade brasileira precisa priorizar o investimento nas bases educacionais, por meio do fornecimento de estruturas adequadas já citadas, para democratizar o acesso da educação a distância no Brasil.