Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 14/10/2020
“É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”, diz máxima de Immanuel Kant. Ao se focar na sociedade contemporânea, é visível que uma das ferramentas que aumentou a democratização da educação foi a internet, em especial, com o aprimoramento do ensino a distância, tornando-o mais inclusivo e flexível. Em contrapartida, a falta de apoio Estatal aos menos abastados e a acomodação por parte da sociedade são fronteiras para o bom uso desse caminho no Brasil.
Tal problemática se deduz, em primeira análise, pela omissão de ajuda do Poder Público aos estudantes mais necessitados, os quais não têm acesso aos aparatos fundamentais para esse ensino. De acordo com o sociólogo Pierre Lévy, na teoria da cybercultura, a humanidade passou a se organizar como uma cadeia de redes, na qual existe troca de conhecimentos e culturas. Sob essa linha de raciocínio, torna-se fulcral o consumo ou, ao menos, a interação com os insumos tecnológicos, em especial, para a viabilização do ensino virtual. De modo adverso, o Estado ainda se faz distante dessa atmosfera, ao não suprimir as necessidades estudantis como o acesso a internet. Logo, se o Governo não dá azo a esse público, não há futuro destituído de desigualdades.
Ademais, o EAD é prejudicado quando relativa parte da sociedade ou desconhece ou apenas se acomoda diante das condições que lhes é imposta. Conforme Sócrates: “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”. Nessa ótica, a desinformação e a ignorância são percalços para essa temática, uma vez que quando não há interesse nem busca para a democratização dessa modalidade de educação, os direitos públicos não são correspondidos e ecoa um cenário de alienação. Assim, quando a sociedade não dá a devida significação e reivindica tais direitos, resta o caos.
Com o fito de amenizar esse quadro, soa oportuna a atuação de dois vetores: o Ministério da Educação e a Imprensa. Cabe ao MEC criar acessibilidades aos artifícios fundamentais para esse ensino, por meio de distribuição de equipamentos em unidades de ensino público para dar uma base melhor a esse público necessitado. Outrossim, o discurso midiático deve denunciar as mazelas vividas pelos estudantes dadas as circunstâncias, por meio de manifestos que convoquem a participação popular com o intuito de criar manifestações em prol da educação_ Medidas fundamentais para que o “aperfeiçoamento” citado por Kant seja correspondido.