Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 18/10/2020

Em 2011, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou o acesso à internet como o direito humano do século XXI, considerando todas as possibilidades de avanço social, política e econômica oferecidas por essa ferramenta. Além dessas potencialidades, observa-se, também, a intensificação dessa importância a partir do ensino a distância (EAD) no mundo, principalmente na realidade brasileira, caracterizada por uma profunda desigualdade de oportunidades. Apesar de todas essas perspectivas positivas oferecidas pelo ensino remoto, observa-se que no Brasil, a perpetua-se a exclusão social oriunda da a exclusão digital causada, principalmente, pela limitação na cobertura e qualidade de internet.

Sobretudo, entre as diversas funções democratizadoras potencialmente desenvolvidas pela EAD no Brasil, destaca-se a maior acessibilidade ao ensino a partir de plataformas digitais. Pois em um país de tão grande extensão faz com que alguns lugares remotos, frequentemente, não contem com estrutura educacional adequada, sendo mais viável o ensino virtual. Além disso, outra potencialidade desse tipo de ensino está a flexibilidade de horário e de ritmos, haja vista que o aluno pode escolher quando e como estudar. Dessa forma, aproxima-se do conceito de “educação emancipadora” defendida pelo filósofo e pedagogo Paulo Freire, conhecido como patrono da educação brasileira.

No entanto, de nada adiantam todas essas potencialidades se a exclusão social se converte em exclusão digital, visto que as grandes extensões territoriais brasileiras, frequentemente, são traduzidas na limitação quanto a cobertura das redes de internet e em alguns casos, quando há esse serviço, há uma baixa qualidade da velocidade do atendimento da necessidade do usuário. Além disso, os custos desses serviços superam os benefícios oferecido, haja vista o baixo valor da renda per capita nacional. Desse modo, conforme afirmado pelo Filósofo francês contemporâneo Pierre Lévy, a cada nova ferramenta surgem novas formas de exclusão.

Em suma, afim de diminuir a exclusão causada pela limitação causada pela cobertura e qualidade de internet no Brasil é necessário que o Ministério da Ciência e da Tecnologia estabeleça os chamados “Hotspots” de acesso à internet com pontos de conectividade gratuito em locais públicos como praças e parques, principalmente nas regiões menos atendidas pelas grandes operadoras desse serviço. Por meio de parceria com operadoras e, também, escolas que podem oferecer laboratórios de informática para utilização de computadores. Assim, todas as possibilidades oferecidas pelo EAD serão de fato utilizadas para reduzir a exclusão social que caracteriza a identidade nacional.