Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 28/10/2020

Compreendido como uma forma de ensino mediada por tecnologias digitais, a educação a distância (EAD) permite a interação entre professores e alunos, ambos localizados em ambientes físicos diferentes. Essa modalidade de aprendizagem tornou-se mais evidente no Brasil, em 2020, quando, devido à pandemia de covid-19, as aulas presenciais tiveram que ser suspensas no país. A partir disso, pode-se perceber que, apesar de o EAD oferecer, sobretudo, a possibilidade de levar educação a todos nos mais diversos espaços, esse mecanismo de ensino revela, dentre outros entraves, a desigualdade socioeconômica nacional, já que muitos indivíduos não têm acesso às ferramentas tecnológicas. Assim, a ação do governo brasileiro, no intuito de reduzir a exclusão digital no país, faz-se necessária.

Nesse contexto, destacam-se como uma das potencialidades da educação remota, no Brasil, os menores custos aos discentes, visto que, por não precisarem deixar suas residências para estudar, esses aprendizes economizam financeiramente em transportes e em alimentação. Isso explica, de acordo com o portal de notícias “g1”, o aumento, em 2018, de cerca de 17% em novas matrículas para cursos on-line. Outro fator que se adéqua como benefício do EAD é a flexibilidade de horários, posto que as aulas ministradas pelos docentes, geralmente, ficam gravadas e o aluno pode acessa-las no momento em que lhe for propício. Essa versatilidade do ensino não presencial é interessante àqueles que apresentam outras obrigações, além do estudo. Segundo o censo de 2015, 70% das instituições públicas que ofertam cursos de EAD contam com alunos que estudam e trabalham.

Entretanto, essa categoria de ensino possui obstáculos que devem ser superados. Entre esses empecilhos evidencia-se a exclusão digital, fruto, majoritariamente, da desigualdade socioeconômica brasileira. Nesse sentido, muitos indivíduos, por não terem condições monetárias para adquirir equipamentos eletrônicos e ferramenta de acesso à rede (internet), ficam suprimidos desse método de educação. Soma-se a essa metodologia de exclusão a falta de habilidade técnica que muitas pessoas, especialmente as do século passado, têm para manusear aparelhos tecnológicos. Consoante o filósofo Pierry Lévy, na contemporaneidade, existe um processo de virtualização, no qual não há mais barreiras entre o virtual e o real. Destarte, partindo dessa premissa, torna-se necessário o saber digital para que os seres não tenham seus conhecimentos limitados ao mundo concreto.

Portanto, objetivando reduzir os empecilhos do EAD no Brasil, compete ao governo federal fornecer subsídios aos indivíduos, para que estes invistam em ferramentas tecnológicas, como, aparelhos eletrônicos, internet e cursos de capacitação técnica. Isso deve ser feito mediante levantamento de dados socioeconômicos, ofertando,assim, auxílio àqueles que, de fato, necessitam.