Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 25/10/2020
Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, em sua célebre obra “Brasil: uma biografia”, assinalam ao ledor o comportamento da sociedade brasileira. Entre eles, destaca-se a árdua e tortuosa construção da cidadania. Embora o País possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se materializa. De modo análogo, nota-se, no mundo hodierno, desafios da educação, uma vez que problemas relacionados ao uso das tecnologias no ensino ainda persistem na era digital. Nesse contexto, percebe-se que a lenta mudança na mentalidade social e a negligência do Governo alteram de forma negativa na construção cidadã.
Convém ressaltar, a princípio, que a lentidão na transformação do pensamento do indivíduo é parte do problema. Sob esse prisma, o filósofo inglês Francis Bacon afirma que o comportamento humano é contagioso e se reproduz. Por exemplo, a 3ª Revolução Industrial trouxe grandes avanços para a indústria, mas sua popularização só aconteceu no início do século XXI, para uma pequena parcela da população e, por este motivo, muitos alunos e escolas resistem ou não conseguem adotar aos novos modelos de ensino. Com efeito, tal realidade não mudará enquanto a sociedade não enxergar os benefícios das novas tecnologias.
Outrossim, a morosidade em assegurar políticas públicas que sustentem a cidadania dos sujeitos fomenta a perpetuação do impasse. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 assegura os direitos e garantias fundamentais. No entanto, o art. 205 juntamente com o Plano Nacional de Educação (PNE) não são aplicados como deveriam, tendo seus princípios e diretrizes negligenciados Diante disso, as condições de igualdade e permanência na escola, precisam ser revistos, uma vez que o PNE não assegura de modo eficaz a implementação de novas tecnologias no ensino. Com efeito, se a lei não for aplicada e observada, ainda teremos vistas para esse cenário.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, cabe aos Ministérios da Educação e Cidadania promover a inclusão social e digital, por meio do Cadastro Único, importante instrumento de coleta de dados e informações que objetiva identificar as famílias de baixa renda. Nessa óptica, será implementado um programa assistencial para aquisição de computadores e internet para famílias vulneráveis, além de ampliar o debate sobre a tecnologia educacional. Nessa lógica, tais medidas podem garantir a liberdade de ser cidadão de milhares de pessoas, assegurando o direito à educação. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto gerado pelos problemas apontados na educação. Portanto, a sociedade brasileira assegurará a sua condição de cidadã, discutida por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling.