Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 27/12/2020
Durante o Renascimento europeu, Gutenberg inventou a imprensa, dispositivo que revolucionou a leitura e o ensino e permitiu uma certa difusão do conhecimento, antes extremamente restrito à elite econômica do período. Na atualidade, o ensino a distância, o EAD, alterou a educação de modo semelhante à invenção renascentista: a tecnologia ampliou as possibilidades de ensino, mas ainda há limitações, principalmente as de caráter monetário ou tecnológico. Assim, sejam causados pela omissão estatal na promoção da internet, seja pela dicotomia econômica da nação, os entraves ao desenvolvimento do EAD devem ser superados, de modo a democratizar o conhecimento.
Diante desse cenário, verifica-se que a inércia estatal em gerar amplo acesso às redes corrobora para que o ensino a distância não esteja amplamente disponível para a população brasileira. Nesse viés, durante a Era Vargas, o rádio era a principal forma de difusão de entretenimento e notícias, além de seu uso ser incentivado por políticas estatais. Ocorre que, na atualidade, o Estado é ineficaz na promoção do meio moderno, a internet, - capaz de difundir a educação a distância e notícias à nação- o que impede que o EAD torne-se democrático e capacite a sociedade. Destarte, enquanto a omissão for a regra, o acesso ao meio cibernético e ao conhecimento será uma utopia no Brasil.
Ademais, os paradoxos econômicos da nação impedem que parte da população, em especial a parcela carente, tenha acesso às redes e ao EAD, capaz de disseminar a informação e a qualificação aos seus adeptos. Nesse sentido, na República Velha, durante o governo de Rodrigues Alves, ocorreu a reforma do centro do Rio de Janeiro, capital do país à época, com o objetivo de modernizar a cidade. Entretanto, tais obras promoveram o cerceamento habitacional da populaçãco pobre, que habitava os cortiços, demolidos nesse período, iniciando, dessa forma, o processo de favelização. De modo semelhante, a transição para a internet - e a possibilidade de ensino a distância - segregou os menos favorecidos economicamente, os quais, sem condições de adquirir a infraestrutura necessária, acabam excluídos desse processo educacional, o que é incoerente num Estado Democrático de Direito.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Tecnologia, em parceria com empresas privadas, liquide o principal entrave à expansão do EAD: a falta de acesso às redes. Isso poderia ser feito por meio da instalação subsidiada de internet via satélite, que possui custos reduzidos para seu uso, num projeto denominado ‘‘Brasil Conectado’’, de modo a democratizar o uso das redes e possibilitar, dessa maneira, o ensino à distância. Com tal medida, poder-se-á mitigar os efeitos da inércia estatal, além das mazelas econômicas, a fim de tornar o direito à educação - idealizado na Carta Magna - uma realidade no Brasil.