Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 01/11/2020

Em “Os Sete Saberes”, célebre obra de Edgar Morin - antropólogo francês - nos mostra que no lugar de uma educação tecnicista com a fragmentação do saber, ela deve ser social, abrangendo todas as áreas do conhecimento. Entretanto, é perceptível que a perspectiva de Morin se distancia cada vez mais da realidade vigente no Brasil, na medida em que o ensino a distância mesmo sendo um avanço nas técnicas de aprendizagem, acaba que por reforçar as desigualdades sociais. Dessa maneira, torna-se premente analisar os principais desafios dessa problemática: a escassez de infraestruturas que suportem didáticas on-line  e a inércia na evolução das técnicas de transmissão de conhecimento via web.

Em primeira análise, é lícito postular que a pouca infraestrutura digital em regiões menos relevantes economicamente, acaba por dificultar a implementação e resolução do problema. De acordo com o sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, é necessário garantir formas de assegurar a ordem social, estabelecendo um padrão de equilíbrio dinâmico, de modo a tratar desigualmente os desiguais. Nessa perspectiva, o sistema educacional brasileiro vai de encontro ao pensamento do sociólogo, visto que não disponibiliza a todos os estudantes - especialmente os que residem em regiões de menor importância econômica - o suporte básico, que tornaria viável o EAD, tendo em vista a impossibilidade dos alunos pagarem por servições de rede abusivos, bem como muitas vezes o sinal sequer chegar em suas residências, logo, é inaceitável a continuidade desse descaso, fazendo-se urgente uma ação de amparo.

Outrossim, em uma investigação mais aprofundada, deve ser considerada a relação entre o descaso no aprimoramento das didáticas de ensino on-line e a falta de adesão, aliada ao desinteresse dos discentes nas videoaulas. Na visão do economista britânico Arthur Lewis, investimentos no âmbito educacional sempre são válidos, pois indubitavelmente geram retornos positivos na sociedade. Nesse raciocínio, é notório os benefícios quando aprimoradas as técnicas remotas de transmissão do conhecimento, no entanto o país ainda peca nesse quesito, não tendo a proatividade de se modernizar junto à tecnologia, se tornando cada vez mais um saber arcaico e menos atraente aos estudantes. Torna-se claro, por dedução investigativa, o potencial negativo causado pela inatenção na modernização da pedagogia.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias a fim de minimizar os obstáculos na implementação da educação remota no Brasil. Então, é imperativo que o Ministério da Ciência  Tecnologia e Inovações (MCTI), insira ilhas digitais com acesso à internet nas regiões interioranas e economicamente vulneráveis, por meio da ajuda de instituições escolares municipais, que devem disponibilizá-las para o aprender dos alunos e capacitação dos seus professores no meio digital. A partir dessas intervenções, será possível garantir uma ótima educação, completa, conforme o ideal de  Morin.