Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 31/10/2020

O mundo vivenciou, a partir dos anos 1980, uma revolução técnico-científico-digital com a introdução da internet e a popularização do computador. Nesse ínterim, a educação ganhou uma variante até então desconhecida: a educação à distância (EaD), potencializada pelo recente quadro pandêmico mundial. No entanto, ao passo que representa uma nova forma de ensino, a EaD padece das mesmas desigualdades presentes no cenário educacional brasileiro, constituindo uma realidade díspar, carente de regulamentação e que, por vezes, impede o acesso pleno à cidadania.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a educação à distância nunca foi tão importante como agora, visto que foi a modalidade única vigente durante a pandemia do coronavírus. Dessa forma, ao conseguir chegar às regiões longínquas e se adequar à linguagem e ao tempo do aluno, a Ead conseguiu se capilarizar de uma forma impossível no modelo presencial. De maneira análoga, é a reedição do projeto de “pedagogia libertária” de Paulo Freire, implementado casa a casa no interior nordestino em 1970, cuja bandeira era o acesso e a elevação do aluno como sujeito transformador de sua realidade. Ou seja, a EaD em seu alcance e sua operacionalização deve ser vista como uma verdadeira revolução.

Por outro lado, há entraves nesse processo que exigem maior atenção, como a estrutura deficiente para as aulas online, a obrigatoriedade para com os professores no manejo tecnológico e a falta de acompanhamento pedagógico eficiente. Ademais, o fato de que 40% da população brasileira não possui sequer acesso à internet, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, reverbera em uma deficiência estrutural. Assim, não há modelo melhor, há modalidades suplementares que padecem dos problemas inerentes à educação brasileira, que de forma ampla, refletem as mesmas desigualdades presentes em sociedade.

Depreende-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para a resolução dessa problemática, como a implementação de um projeto de desenvolvimento da educação à distância, pelo Ministério da Educação e Secretarias Estaduais – principais fomentadores de políticas públicas – que ocorra por meio de cursos de capacitação para professores, distribuição de internet móvel para alunos e o apoio pedagógico semi-presencial permanente aos que optarem pela modalidade à distância. Essa ação teria por finalidade diminuir as desigualdades existentes, de forma a conduzir o indivíduo à transformação de sua realidade por meio do acesso à educação, garantindo, sobretudo, cidadania. Tal qual uma revolução costuma buscar.