Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 05/11/2020
“A boa educação é uma moeda de ouro, em toda parte tem valor ”. Essa frase de Padre Antônio Vieira demonstra a importância do acesso ao ensino de qualidade e o papel transformador na vida dos indivíduos. Nesse sentido, tem-se a educação a distância como meio de maximizar o alcance do conhecimento, chegando a regiões antes longínquas. Todavia, a carência de acessibilidade à rede e a cultura do comodismo impossibilitam a evolução da prática da EaD no Brasil.
Em primeira instância, pode-se apontar o conceito biológico da seleção natural, como um impasse a obtenção do estudo remoto. Para Charles Darwin, somente os indivíduos que possuem mais mecanismos de adaptação ao ambiente no qual se encontra, sobreviveriam à mudança.Análogo a isso,tem-se a formação de uma sociedade em castas,instaurada na ausência do estado, responsável por promover condições básicas ao desenvolvimento para a população, como a conexão a redes telemóveis.À vista disso, a falta de internet à camadas menos abastadas é tida como elemento segregacional do ensino a distância na hodiernidade. É mister afirmar que, só os indivíduos mais ricos possuem recursos próprios suficientemente necessários para asseguração de privilégios frente a evolução.
Ademais, agravada pela cultura da passividade social, pode-se ocorrer a não apreensão do conhecimento disponibilizado ao sujeito, uma vez que lhe foi ensinado a memorização de conteúdos e, consequente, acomodação ao meio, em detrimento do desenvolvimento individual crítico e cognitivo. Dessa forma, adequa-se à questão, a idéia do norte-americano Clay Shirky de que a revolução social ocorre pela mudança de hábitos e, não, por meio de novas tecnologias. Portanto, nada vale a evolução tecnológica na educação se o processo de aprendizagem estiver em defaso.
Logo, diante do que foi exposto, cabe refletir acerca de intervenções cabíveis para a resolução de tal problemática, a fim de que essa realidade se converta. Faz-se de extrema importância a ação do Ministério de Educação junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (órgão responsável pela encarregado de assegurar o alcance da internet à coletividade), na promulgação de políticas com o fito de maior abrangência de beneficiados pelos projetos sociais oriundos de parcerias público-privadas,além da difusão de conteúdos básicos escolares por recursos televisivos, trazendo a universalização do ensino. Outrossim, o déficit consumado pela inércia intelectual, pode ser solucionado pela progressiva mudança nas diretrizes do ciclo básico brasileiro, tornando a transformação do alicerce educacional suscetível ao desenvolvimento de cidadãos pensadores.Assim, a aprendizagem possuirá,de fato, o renome de agente transformador, ditado por Antônio Vieira.