Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 22/11/2020

Diante da pandemia da Covid-19, escolas públicas e privadas foram fechadas como forma de prevenção comunitária ao contágio dessa doença. Para não prejudicar o aprendizado dos estudantes, como solução, inúmeras instituições optaram pelas aulas on-line. Contudo, o acesso a essas inovações não é democrático. Sob essa ótica, compreender o atual cenário da educação a distância (EAD) no Brasil é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a carência de relações entre alunos e professores e a exclusão digital são notadas.

É preciso considerar, antes de tudo, os benefícios que as aulas remotas dispõem. Nesse sentido, a flexibilização do tempo, o baixo preço em relação às presenciais e a variedade de cursos são atrativos ao público. No entanto, as consequências da falta de interação direta com profissionais da educação para conduzir o estudante são perceptíveis quando o indivíduo está despreparado para ter tamanha autonomia nos estudos. Tal fato é ilustrado pelos dados do CENSO EAD, os quais demonstram que a taxa de evasão dessa modalidade de ensino chega a 50% em cursos totalmente on–line. Por essa razão, urge a necessidade de ações de ministérios específicos para minimizarem essa contenda.

É válido ressaltar, ainda, o Marco Civil da Internet, lei na qual estabelece princípios e garantias que tornam a rede livre e democrática no Brasil. Entretanto, nem todos os brasileiros disfrutam desse igualitarismo, de modo a colaborar com a persistência da infoexclusão, que priva a população de ter contato com o conhecimento EAD, o qual seria mais acessível. Prova disso é que, segundo o site “Vermelho”, 4 em cada 10 pessoas não têm acesso à internet no país. Essa realidade, em consonância com o “Contrato Social” do filósofo Rousseau, o qual salienta que o Estado deve manter, por meio do poder, as regras e as vantagens iguais a todos, aponta para medidas efetivas do governo com o intuito de sanarem tal problemática.

Evidencia-se, portanto, que fatores sociais e excludentes estão diretamente relacionados aos desafios das aulas não presenciais. Para contrapor as situações, o Ministério da Educação deve exigir maior proximidade entre plataformas de ensino e alunos, por meio de monitorias, as quais serão periódicas, a fim de sanar dúvidas frequentes dos estudantes e incentivá-los à conclusão dos cursos. Outrossim, cabe ao Poder Executivo, em ação conjunta ao Ministério da Economia, criar acordos com empresas de internet, por intermédio de incentivos fiscais, com a finalidade de tornar o preço de seus serviços mais populares. Destarte, será possível ir contra os índices do CENSO EAD, na medida em que o conceito rousseauniano de equidade será promovido.