Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 13/11/2020

Durante o período da Era Vargas, a educação brasileira começou a ser mais democrática ao povo. Desse modo, com a criação do Ministério da Educação (MEC), foi possível executar um plano em que o ensino passasse a ser dever do Estado, obrigatório, gratuito e laico. Indubitavelmente, foi uma grande conquista para a Federação. Entretanto, haja vista os crescentes avanços tecnológicos, a demanda por pessoas mais qualificadas e o interesse mundial por maior qualidade nos sistemas educacionais, como prevê a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), urge analisar a importância e os desafios da implementação da Educação à Distância (EAD) no Brasil.

Mormente, a educação escolar possui um importante papel na construção de um indivíduo mais cidadão na sociedade. Sob essa ótica, na obra literária “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o autor enfatiza que o analfabetismo compunha um aspecto determinante nas discrepâncias sociais do Nordeste no século XX. Assim, Fabiano – personagem ficcional – acreditava que “pensar” não o levaria a nada, já que não o ajudaria a ‘pôr comida na mesa’. A partir disso, infere-se que o desdém da aprendizagem vinha das péssimas condições sociais enfrentadas pelo personagem, e seria, portanto, perda de tempo estudar. Desse modo, nota-se que o conhecimento, em contraponto a realidade vivenciada pelo vaqueiro, tem o poder de ascender o indivíduo socialmente.

Ademais, acesso à internet, a computadores, ambientes domésticos impróprios, baixa qualificação de professores (já que muitos não estão familiarizados com equipamentos e métodos modernos), além do aumento nos gastos residenciais devido ao maior consumo de energia, por exemplo, constituem desafios do EAD no Brasil. É imprescindível salientar que o país ainda é muito desigual, logo, implementar um sistema educacional ao qual tem por fim reduzir custos e democratizar a educação exige uma mobilização de mudanças socioeconômicas em todo país. Em suma, para que o governo possa beneficiar os alunos com esse novo sistema complementar ao ensino regular é necessário a redução de desigualdades e reciclagem de profissionais.

Destarte, faz-se mister otimizar o acesso dos estudantes e educadores ao EAD no Brasil. Portanto, cabe ao MEC, por meio de seu site oficial, ofertar cursos gratuitos aos professores, principalmente aqueles que compõem o corpo docente das instituições públicas. Além disso, fornecer equipamentos e plataformas seguras para a transmissão adequada desses conteúdos curriculares. Sob a demanda estudantil, fora reduzir as desigualdades regionais, ceder descontos sobre a conta de energia às casas que possuem alunos em uso de equipamentos durante o período de aula. Desse modo, será possível garantir o acesso à Educação a Distância e alinhar o Brasil a Agenda 2030 da ONU.