Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 15/11/2020

Brás Cubas, personagem criado pelo escritor Machado De Assis certa vez disse, “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a negligência governamental em relação a viabilizar o acesso ao ensino, atrelada as desigualdades sociais encontradas no país, dificultam que o ensino a distância (EAD), seja democrático no Brasil. Diante do exposto, medidas são necessárias no que diz respeito à problemática em questão.

Em primeira análise, cabe salientar que a educação on-line é, frequentemente, inviabilizada pela desigualdade social, a qual é demonstrada pelo baixo Índice de Desenvolvimento Humano no Brasil. Nesse sentido, a escolha de muitos jovens pela educação a distância é agregada a flexibilização de horário e local que essa forma de ensino oferece – um dos pontos positivos do EAD -, porém, em muitos casos, os jovens não tem aparelhos tecnológicos que estejam de acordo com o dinamismo da educação digital. Dessa forma, fica claro que as classes sociais com maior concentração de capital são favorecidas, evidenciando a problemática.

Ademais, nota-se que a modalidade de ensino a distância regulamentada pelo Ministério da Educação, não é democrática no Brasil. Nesse contexto, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que uma a cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede. Nesse prisma, fica evidente que o ensino a distância se torna ainda mais difícil, visto que o acesso a essa modalidade de ensino é restrita a uma parcela da população. É evidente, portanto, que o ensino a distância tem muito a oferecer, mas para isso medidas devem ser tomadas para torna-lo democrático. Sendo assim, fica a cargo do Ministério da educação -instância responsável pelas políticas educacionais no Brasil - a criação de novas meios de acesso ao ensino a distância, em parceria com o Governo Federal, com distribuição de chips com internet e aparelhos tecnológicos para aqueles que provarem não terem condições socioeconômicas. Desse modo, o ensino poderá ser distribuído a todos tornando uma sociedade da qual Brás Cubas se orgulharia.