Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 18/11/2020

Em 2020, com a pandemia da COVID-19, muitas instituições de ensino público e privado adotaram o sistema de ensino à distância (EAD), devido ao protocolo de isolamento social para evitar a disseminação do vírus. Esse modo de ensino já existia no Brasil, principalmente, nas faculdades privadas, sendo uma alternativa para formação de muitos brasileiros. Porém, atualmente, essa forma de ensino ainda apresenta muitos obstáculos para sua efetivação, como a falta de estímulo a autoaprendizagem do aluno e a ausência do acesso universal aos meios eletrônicos e internet.

Em primeiro lugar, é importante salientar, que a falta de estímulo da autoaprendizagem do aluno é potencializado no ensino à distância. No Brasil, as instituições de ensino aplicam as aulas presencias que são caracterizadas pela rotina e cronograma pré-determinados, o auxílio presencial do professor e a cobrança de um bom desempenho do aluno pela própria instituição. Dessa maneira, o estudante não é estimulado a ter uma autonomia nos estudos, pois ele sempre precisa de terceiros para estudar. Assim, nas modalidades EAD, a dificuldade na concentração tanto nas aulas como resolução de exercícios, a cobrança pelo maior desempenho tem que vim por parte do aluno e a ausência de uma rotina fixa podem dificultar na aprendizagem do aluno, pois como ele não é estimulado a ter uma autonomia nos estudos e não tem como hábito o costume de aprender sozinho (self-learner), que é imprescindível para um bom desempenho nesse modelo de ensino.

Ademais, a dificuldade do amplo acesso aos meios eletrônicos e a internet é um dos maiores obstáculos para a efetivar esse modo de ensino. Apesar de o Brasil possui altos níveis de celulares por pessoa, segundo os dados da Fundação Getúlio Vargas, ele ainda apresenta um baixo acesso à internet de qualidade pela população. A maior parte das pessoas que procuram faculdades a distância possui uma renda média baixa, por ter um preço mais acessível. Porém, muitas dessas pessoas não possuem condições financeiras para comprar notebook ou computadores. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada 4 pessoas não tem acesso à internet e 11,8% das pessoas não possuem internet por conta de o serviço ser caro. Dessa forma, pode-se afirmar que o ensino à distância ainda não é uma opção favorável a muitos brasileiros.

Fica evidente, portanto, que é de suma importância a resolução desses impasses para garantir um ensino à distância amplo e efetivo para a população brasileira. Desse modo, o Governo Federal, através do MEC, pode investir em uma nova política de educação que capacite os profissionais da educação para desenvolver uma cultura de autoaprendizagem nas escolas através de aulas mais interativas, com os alunos podendo opinar no formato e na criação da aula.