Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 02/12/2020

O impasse da exclusão

O jornalista Arnaldo Niskier declarou, em 2003, que a educação é fundamental para o desenvolvimento crítico e perceptivo do aluno, além de ressaltar o papel fundamental que a escola deve ter no processo. Apesar de necessária, a democratização do acesso ao ensino ainda é um problema recorrente: muitos alunos ainda não têm acesso à educação de qualidade, embora alternativas como a educação a distância sejam colocadas em ação. Infere-se, então, que a educação a distância é uma prática valiosa e enfrenta diversas barreiras, seja a inclusão digital dos estudantes, seja a garantia de um ambiente ideal para o estudo.

Em primeira instância, é fulcral pontuar que a inclusão digital ainda é um empecilho à democratização do acesso à educação. De acordo com o IBGE, cerca de 49% da população brasileira possui acesso à internet, dado que por si só ainda não consta a quantidade de incluídos digitalmente - é importante que o indivíduo tenha o conhecimento para operar a máquina. Dessa forma, evidencia-se o fato de que mais da metade da população brasileira carece de uma garantia considerada um direito: a internet. Sendo assim, um grande desafio frente à prática da educação a distância materializa-se, tristemente, na falta das máquinas, redes acessíveis e pelo próprio conhecimento técnico.

Ademais, mesmo que os brasileiros tenham os requisitos materiais e técnicos para possibilitar a prática da educação a distância, ainda lhes falta um ambiente propício. A revista Piauí publicou uma reportagem, durante a pandemia do novo coronavírus, intitulada: “Educação a distância, problemas presenciais”, em que aborda as dificuldades de vários jovens na periferia de São Paulo, tais como a falta de um ambiente sem distrações, mesas e auxílio nas tarefas - no caso dos menores. Nesse sentido, observa-se um empecilho à prática, ao passo que milhares de jovens periféricos encontram severas dificuldades na adesão do processo educativo, visto que, em seu cotidiano, enfrentam os chamados “problemas presenciais”.

Portanto, medidas são necessárias para resolver a problemática dos desafios na educação a distância. É imperativo que o Ministério da Educação, por meio de verbas públicas, fomente a distribuição de equipamentos eletrônicos, redes móveis  e da infraestrutura necessária à prática - tablets, laptops; redes 3g e 4g; mesas, cadeiras, lápis e cadernos, respectivamente - para que, enfim, o acesso à educação seja um direito desfrutado por todos. Só assim, o ideal presente na frase de Niskier pode sair do plano das ideias e ser, finalmente, democratizado, superando o impasse da exclusão.