Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 04/12/2020
Durante a urbanização brasileira, na década de 30, e posterior revolução dos meios de comunicação, a jornada de trabalho foi aumentada e as horas livres tornaram-se escassas. Paralelo a isso, hoje, o ensino a distância cresce positivamente, pois flexibiliza os horários, e possibilita a qualificação de quem é históricamente afetado pela falta de tempo. Todavia, essa modalidade apresenta desafios que dialogam com problemas intrínsecos ao país, seja pela exclusão sistemática, seja pela passividade do aluno.
Precipuamente, é fundamental destacar que uma parcela substâncial da população não é incluída no ensino remoto. Sob essa ótica, Simone de Beauvoir definiu a invisibilidade social como um processo de super valorização de alguns grupos em negligência de outros com menor destaque produtivo. Ocorre que grande fração da sociedade é analfabeta tecnológicamente, a exemplo- idosos e pessoas carentes- e são, pois, invisíveis ao sistema, representando um grave problema antidemocrático. Desse modo, é crucial que as instituições de educação a distância forneçam um tutorial eficiente do uso da plataforma e, também, conhecimentos básicos de informática, com o intuito de tornar o conhecimento um direito e não um privilégio.
Ademais, desde a propagação dos ideais iluminista, fundamentada no Brasil com o positivismo da ditadura, o professor é exaltado como único detentor do saber e o conhecimento passado, unilateralmente, para os alunos, de forma passiva. Com efeito, o jovem é, lamentavelmente, dependente e não desenvolve a capacidade de pensamento próprio e o autodidatismo nos estudos, habilidade essa, primordial à modalidade EAD. Ora, enquanto não for incentivado uma cultura de autoaprendizagem, o ensino a distância não será bem assimilado.
Fica claro, portanto, que medidas devem ser tomadas para atenuar os desafios do ensino “online”. Destarte, urge que o MEC minimize a passividade histórica dos alunos, por meio da anexação de um sistema híbrido de ensino, instituído nos institutos federais e opcional nas demais escolas. A plataforma deverá ser “online” e compor 25% da nota do aluno, sendo uma extensão das aulas físicas, outrossim, as escolas inscritas precisam fornecer acesso a computadores no ambiente escolar. Isso terá o intuito de estimular a aprendizagem dinâmica e ativa e contribuir com o crescimento do ensino remoto. Assim, esse cenário será expandido nacionalmente, bem como a qualificação não será refém do tempo.