Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 07/12/2020
É no ambiente da Guerra Fria onde Estados Unidos e União Soviética disputavam poderes e hegemonias que cria-se a internet, com o intuito de facilitar a troca de informações. Hodiernamente, no cenário brasileiro, é notório a potencialidade que essa ferramenta exerce no que tange à ampliação do acesso à educação. Entretanto, a exclusão digital de uma parcela da população é um obstáculo para a concretização do ensino a distancia.
Em primeiro plano, vale destacar que o surgimento da internet possibilitou a democratização da educação. Consoante ao pensamento do pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação emancipadora e autônoma é aquela que possibilita que pessoas das classes menos favorecidas da sociedade desenvolvam uma consciência crítica. Desse modo, o ensino não presencial viabiliza que indivíduos a qual possuem horários poucos flexíveis adquiram conhecimento por meios alternativos, não precisando, por exemplo, se deslocarem grandes distancias para terem aulas. Logo, a adoção da modalidade virtual traz benefícios de troca de informações de mesmo modo que beneficiou os dois países no contexto da Guerra Fria.
Todavia, a privação da conexão com o espaço virtual de uma parte da comunidade brasileira é empecilho para implantação de plataformas educacionais digitais. Conforme retratado no documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, o Brasil enfrenta disparidades socioespacial, a qual cidades afastadas dos grandes centros urbanos, onde as distâncias ricos-pobres se encontram tão marcadas enfrentam limitações, entre essas, o contato com meios tecnológicos. Nesse viés, os habitantes desses espaços não dispõem de alternativas para acessarem o ensino remoto, em razão de suas localidades geográficas desfavorecidas no processo de globalização. Isso impede, infelizmente, uma inovação no modo de transmissão do saber e a possibilidade de ascensão social do grupo dessas regiões.
Depreende-se, portanto, a relevância da ampliação do acesso aos meios digitais. Para que isso ocorra, é necessário que o Estado, no papel de garantidor dos direitos fundamentais, proporcione ampliação do alcance da internet, por meio de parcerias público-privada, a fim de colaborar com a democratização da educação.