Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 12/12/2020
De acordo com a Organização das Nações Unidas, a internet permite que indivíduos busquem, encontrem e compartilhem informações de todos os tipos, de uma forma instantânea e barata, além de impulsionar o desenvolvimento econômico, social e político das nações. Nesse sentido, surge a Educação a Distância, que, por um lado, proporciona acessibilidade e modernização do ensino, mas por outro, ainda é alvo de preconceitos e obstáculos, como o sucateamento e a exclusão digital. Convém ressaltar, a princípio, os inúmeros benefícios do ensino a distância. Segundo o educador Manuell Castells, a reforma da educação é fundamental, já que as escolas continuam funcionando exatamente como eram na Idade Média, sem internet e sem interatividade, o que leva à evasão escolar. Nesse sentido, a EAD representa um avanço, visto que proporciona maior acessibilidade financeira, espacial e temporal. Dessa forma, grupos excluídos socialmente devido às localidades onde vivem e ao capital que possuem passam a ter, em tese, acesso à educação. Além disso, há um maior alinhamento às tecnologias atuais, frequentemente limitadas no modelo tradicional, permitindo o uso diverso de estímulos ao aprendizado do estudante.
Entretanto, no Brasil, o ensino a distância enfrenta alguns entraves, dentre eles, o preconceito, o sucateamento e a exclusão digital. Ainda predomina, no pensamento social, a ideia de que a EAD é de menor qualidade quando comparada ao ensino tradicional, reflexo do sucateamento histórico da educação no Brasil. Ademais, deve-se considerar os diversos tipos de exclusão digital, que impossibilitam o estabelecimento real da EAD. Dentre eles, a exclusão tecnológica- nem todos tem acesso as inovações necessárias-, infraestrutural- quando a internet em uma determinada localidade é inexistente ou de má qualidade-, financeira- o indivíduo não tem condições de se manter atualizado tecnologicamente-, e cognitiva- dificuldade de alguns cidadãos, principalmente idosos, em se utilizar as tecnologias.
Portanto, para desvincular os aspectos negativos da EAD, mantendo-se os positivos, faz-se mister que o Estado promova medidas que ajam nas causas dos problemas. Para isso, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, em parceria com o Ministério da Educação, forneça subsídios para a aquisição de planos de banda larga residenciais, escolares e comunitários de baixa renda, e de equipamentos básicos para assistir às aulas digitais. Esses deverão ser reunidos em salas de informática populares, distribuídos em áreas mais necessitadas ao longo do país, a fim de democratizar o acesso à educação no Brasil. Ademais, os mesmos devem ofertar cursos de atualização aos professores e à população, de forma a permitir que possam, enfim, usufruir dos benefícios da internet.