Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 12/12/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional - eclodida no século XX- não só inaugurou numerosos avanços na área da informática e da comunicação, mas também propiciou o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas imprescindíveis para a expansão dos mecanismos que objetivam o progresso nacional e social, como o ensino remoto. No entanto, embora tal recurso apresente notável positividade no âmbito educacional, a falta de universalização do acesso à internet não apenas evidencia a constante indolência estatal no cumprimento de sua função, mas também contribui para o surgimento de efeitos deletérios provenientes da aplicação dessa variedade de ensino. Nesse sentido, é indubitável que a privação do direito à educação e à capacitação profissional emergem como impacto significativo do ensino a distância para a desigualdade educacional no Brasil.

Sob esse aspecto, convém ressaltar que a carência de políticas públicas que visem a difusão do acesso equitativo aos dispositivos digitais apresenta-se como mola propulsora para que o ensino remoto origine impactos na educação no Brasil. A partir dessa ponderação, é oportuno reiterar que, de acordo com os dados divulgados pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento em Sociedade e da Informação, 4,8 milhões de crianças residem em locais sem internet. Esse cenário desafiador denota a ineficiência do Estado em assegurar aos habitantes de regiões indigentes e desprovidas de conexão com as redes a oportunidade de obter aquisição de conhecimentos, tendo em vista a crucialidade da internet para o funcionamento do ensino remoto. Desse modo, as desigualdades sociais transpõem-se o âmbito educacional e assumem proporções cada vez mais desafiadoras.           Destarte, a estagnação desse quadro nocivo ao progredimento nacional, oriundo da indolência governamental e marcado pela manutenção da desigualdade social, por conseguinte, suscita impactos negativos para a consolidação da cidadania no Brasil. Nessa lógica, vale mencionar o artigo 205º da Carta Magna, segundo o qual cumpre à República Federativa promover o acesso à educação, visando o funcionamento da cidadania e a qualificação da população para o trabalho. Tendo em vista tal premissa constitucional, infere-se que os indivíduos brasileiros domiciliados em áreas menos valorizadas são, em sua maioria, compelidos à condição de “subcidadãos”-conforme o conceito do sociólogo Jessé de Souza, na medida em que são destituídos das diretrizes que regem esse benefício elementar. Logo, a aplicação do ensino remoto, a princípio engendrado para o desenvolvimento nacional, obstaculiza, consideravelmente, a concretização da equidade na educação.

Portanto, diante das alusões sobre a causa e o impacto do ensino remoto para a desigualdade da educação brasileira, depreende-se que o Ministério da Educação, em sinergia com o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações, deve viabilizar, de forma integral e isonômica, o acesso à internet, por meio da destinação de verbas federais específicas que visem a construção de torres em locais desprovidos de conexões e a oportunização do contato com o meio digital, a fim de garantir o máximo alcance do ensino remoto e o direito à educação. Assim sendo, essa problemática reverter-se-á em amplos avanços sociais, análogos aos propiciados pela Revolução