Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 13/12/2020
Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU), declarou publicamente que o acesso à internet deve ser enxergado como um direito humano. De acordo com ela, a rede mundial de computadores “permite que indivíduos busquem informações de todos os tipos, inclusive relacionado à educação, de uma forma instantânea e barata”. No entanto, percebe-se que, na atual realidade brasileira, ainda há desafios no ensino a distância (EAD), os quais se encontram na desigualdade social e na escassa interação social existente nas plataformas online, fatores que unidos, interferem no aprendizado e no bem-estar social das pessoas.
Em primeiro plano, é necessário entender que o Brasil é um país de desigualdades. De acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um em cada quatro brasileiros não têm acesso à internet, representando 46 milhões de pessoas no total. Sendo assim, a modalidade EAD não é inclusiva mesmo com sua carga horária fllexibilizada e seu custo menor quando relacionado aos cursos de graduação presenciais. Dessa forma, nota-se como o nível socioeconômico é um fator a ser levado em consideração quando se analisa a perspectiva da implantação dessa metodologia em grande escala, já que a população que vive em áreas rurais e aqueles que não têm renda suficiente para planos de internet são os mais excluídos nesse cenário.
Além disso, as redes de ensino online limitam a comunicação entre alunos e professores. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna é feita de relações superficiais. Dessa maneira, dentro da perspectiva das plataformas de ensino virtuais, o pouco contato físico gerado por essa barreira digital estimula a manutenção desses relacionamentos efêmeros e ligados somente à qualidade profissional e acadêmico. Isso ocorre porque as pessoas deixam de trocar, pessoalmente, experiências entre os próprios estudantes e professores durante a convivência rotineira. Com efeito, esse grupo tende a não formar laços duradouros e, por isso, passam a se isolar da sociedade.
Em suma, medidas são necessárias para atenuar os desafios existentes no ensino a distância no país. Para tanto, o Ministério da Educação deve, mediante parceria público-privada, fornecer espaços gratuitos que contenham computadores com acesso à internet cedido pelas companhias, e possam ser usados como áreas de uso da população mais pobre. Essa proposta pode auxiliar as pessoas a terem acesso às tecnologias de informação para estudarem em plataformas de ensino superior que ofereçam cursos online. Ademais, esse órgão pode incluir no currículo comum das universidades online, aulas práticas para estimular a convivência social dos alunos e ampliar, dessa forma, os benefícios garantidos pela ONU.