Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 18/12/2020
No final do século XX, foi fundada a pioneira em educação remota no Brasil: a TVE. A partir de tal feito, possibilitou-se a descentralização do conhecimento por meio da propagação do saber para os quatro cantos da nação verde-amarela. Entretanto, hodiernamente, a tentativa de aplicar o ensino a distância (EAD) em todo o território nacional esbarra em impasses que inviabilizam a concretude do projeto. Nesse sentido, hão de ser analisados fatores que configuram como barreiras no processo: a falta da cultura de autoaprendizagem, bem como a carência socioeconômica em áreas negligenciadas do Brasil.
A princípio, o sistema educacional brasileiro não incentiva o aluno a ter postura ativa no ensino. Acerca disso, o cenário vigente na contemporaneidade é inspirado no modelo do Iluminismo, o qual impõe submissão intelectual do estudante a figura do professor, que seria o detentor do conhecimento. Nessa lógica, o aluno, desde o “Século das Luzes”, acostumou-se a passividade no processo de aprendizagem, realidade que dificulta a autoaprendizagem intrínseca ao EAD. Logo, é preciso alterações nesse sistema enraizado no Brasil, tendo em vista que a forma passiva de estudo não contribiu para o avanço da descentralização do conhecimento difundido.
Em seguida, além da problemática do modelo atual de ensino, a carência de recursos básicos à vida em determinadas regiões impossibilita o pleno funcionamento da educação remota. Sabendo que há regiões que não possuem recursos mínimos, como é o caso da cidade de Melgaço - norte do Brasil- que é caracterizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o município com o menor IDH da nação, o ensino remoto se torna uma utopia. Sob esse viés, é impossível estudar com a falta de alimento e saneamento em cidades como Melgaço , que são, lamentavelmente, negligenciadas pelo governo.
Logo, o poder público deve promover rodas de conversas nos quatro pontos da nação, que instiguem as crianças e jovens, presentes ou futuros alunos, a pensar, a criar, a exercer papel ativo no ensino, com a finalidade de modificar o estático modelo de ensino, no qual o aluno não consegue sair da postura passiva de aprendizagem pela falta de incentivo para tanto. Além disso, o Ministério Público Federal deve fiscalizar a oferta de serviços básicos, como a alimentação e o saneamento básico nas zonas atingidas pelo problema, por meio de visitas sazonais, com o fito de minimizar a carência desses municípios e, consequentemente, tornar possível o ato de estudar. Feito isso, retiradas as barreiras, a sociedade verde-amarela poderá usufruir plenamente da educação remota, que possibilita a autocriação e o grande alcance do saber.