Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 26/12/2020
Maior acesso espacial, economia de tempo e de custos: essas são algumas das vantagens da educação a distância (EAD), uma modalidade de ensino que tem auxiliado a reduzir a histórica exclusão social no país. Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, assegure que toda pessoa tem o direito à instrução, essa não é a realidade para a maioria dos brasileiros. Nesse contexto, cabe analisar as possibilidades e os desafios enfrentados pela EAD no Brasil.
Primeiramente, a EAD tem um importante papel na ampliação do conhecimento profissional, ao promover maior acesso financeiro, espacial e temporal ao ensino. Desse modo, indivíduos de baixa renda, que moram longe dos polos de ensino ou que precisam conciliar uma tripla jornada, como é o caso de muitas mulheres que têm que trabalhar, estudar e cuidar dos afazeres do lar, podem contar com a vantagem de um valor que caiba em seu orçamento, sem despender tempo e dinheiro com o deslocamento, além de poder escolher o horário de estudar. Por consequência, em uma era em que, segundo o sociólogo espanhol contemporâneo Manuel Castells, um país educado com internet progride, alinhar o conhecimento às formas de comunicação digital aumentará as chance de melhores oportunidades de trabalho e, consequentemente, de renda, diminuindo as disparidades sociais.
Por outro lado, há ainda um grande questionamento relativo à qualidade da EAD. Isso se deve, em parte, ao sucateamento histórico dessa modalidade de ensino, especialmente por conta do mercantilismo educacional, em que grupos empresariais buscam na modalidade um meio de maximizar seus lucros, uma característica que precisa ser combatida veementemente. Outro obstáculo é a exclusão digital. Em um contexto de pandemia por Covid-19, quando o mundo dependeu estritamente da tecnologia informacional para dar continuidade a todas as modalidades de estudo, o acesso deficitário à internet pelas pessoas de baixa renda e em localidades longínquas representa um desafio que aumenta ainda mais as disparidades de norte a sul do país. Isso pode gerar um distanciamento cultural, já que pobres sem acesso à tecnologia ficam destituídos de qualquer modalidade de ensino.
Destarte, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC) promover a ampliação de subsídios para acesso residencial e escolar de banda larga - conexão à internet com alta velocidade e de forma ininterrupta -, direcionado aos estudantes com comprovação de baixa renda, para que esses possam ter acesso à EAD de seu interesse. Adicionalmente, o Ministério da Educação deve promover a capacitação de profissionais para padronizar os critérios dessa modalidade de ensino e reduzir os preconceitos a uma estrutura que, se bem aproveitada, pode contribuir para assegurar o direito humano à instrução e, assim, beneficiar milhares de brasileiros, especialmente os mais pobres.