Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 21/12/2020
De acordo com o filósofo Sófocles, “nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição.” De forma análoga, no que tange ao ensino a distância, apesar de possuir inúmeras facilidades, tais como a flexibilização do tempo e espaço, essa modalidade ainda enfrenta diversos obstáculos que tolhem sua efetivação. Desse modo, é imprescindível analisar como a escassez de capacitação profissional, atrelada à desigualdade de acesso à tecnologia contribuem para a persistência da problemática.
Em primeiro plano, é válido analisar que a pouca inserção profissional perante as novas tecnologias configura um desafio ao ensino a distância. De fato, as novas tecnologias de comunicação exigem conhecimento técnico e preparação para serem usadas. Tendo isso em vista, é pertinente trazer o discurso da teórica Vera Maria Candau, a qual diz que o sistema educacional está preso nos moldes do século XIX, não possuindo soluções para as inquietudes hodiernas. Consoante a isso, com professores que não possuem capacitação para se adequar às novas formas de aprendizagem, o ensino à distância é dificultado. Logo, é substancial a mudança desse cenário.
Em segundo plano, a intensa desigualdade de acesso à internet na sociedade tupiniquim é um fator que impede o acesso igualitário à educação à distância. De acordo com o teórico contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos básicos ao cidadãos, sendo um desses a educação. Todavia, o governo possui um papel passivo nesse cenário, haja vista que ignora ações que poderiam fomentar, potencialmente, o acesso às tecnologias essenciais para o ensino à distância, como por exemplo, políticas públicas que facilitassem o acesso à internet. Dessa forma, o Estado atua como agente perpetuador dessa desigualdade de acesso, sendo necessário um olhar mais crítico de enfrentamento à essa problemática.
Destarte, é incontrovertível que a educação a distância no Brasil possui diversos entraves. Sob esse prisma, faz-se necessário que o Ministério da Educação, por meio de um amplo debate entre Estado e sociedade civil, crie um plano de melhorias no que tange à falta de acesso à internet, assim como a falta de capacitação de profissionais. Nesse contexto, poderiam ser criados ambientes com computadores disponíveis para a população, procurando áreas que atinjam a parcela mais vulnerável a esse recurso. Ademais, o Estado deve ofertar cursos de capacitação técnica, de forma a ensinar os professores os novos meios de ensino. Assim, o problema será mitigado e algo grandioso, como o ensino à distância, não possuirá tantos imbróglios.