Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Durante o Renascimento, a imprensa de Gutenberg revolucionou a difusão do conhecimento, ampliando o acesso aos livros para além da elite. De modo análogo, a internet alterou a educação: a possibilidade de aprendizado remoto possibilitou que o conhecimento alcançasse novas localidades e estratos sociais, de modo a democratizá-lo. No entanto, sua amplitude ainda é incipiente no Brasil, no qual a falta de uma mentalidade de autoapredizagem e o baixo acesso às redes cibernéticas impedem que a educação torne-se ampla no país.

Nessa perspectiva, a ausência de autonomia do aluno brasileiro para adquirir conhecimento representa grave problema para que o ensino a distância, o EAD, seja eficaz e presente. Nesse sentido, o filósofo Immanuel Kant afirma que se o ser humano não tiver uma educação libertadora, estará sempre no estado de minoridade, dependente de tutores para decidir por si. Desse modo, a metalidade educacional da nação é incapaz de promover a autonomia do estudante, conservando-o constantemente no estado minoritário de Kant, de modo que este não adquira o conhecimento propriamente seja, assim, inapto a aproveitar o EAD e as oportunidades que esse oferece.

Ademais, a baixa amplitude de conexão à internet no país, sobretudo na parcela mais pobre, impede que a educação remota seja disseminada e democratize o conhecimento à nação. Nesse viés, durante a República Velha - sob o governo de Rodrigues Alves -, foram realizadas reformas no centro do Rio de Janeiro, com o objetivo de modernizar a cidade. No entanto, tais reformas representaram a exclusão dos moradores humildes da região, que foram expulsos dos cortiços. Da mesma forma, o advento da internet modernizou o mundo aos providos de capital, mas representou, também, o cerceamento dos desprovidos desse recurso, que permaneceram alheios às possibilidades abertas pelas redes, entre essas o EAD. Destarte, a falta de conexão é incoerente que a população carente continue sendo excluída, mesmo após séculos, dos processos de revolução social.

Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Tecnologia invista, em parceria com empresas privadas, na conexão da população carente às redes. Para tanto, deve-se instalar, de forma subsidiada, internet via satélite, capaz de ser utilizada em regiões remotas e de baixo custo, num projeto denominado ‘‘Brasil Conectado’’, que teria o objetivo de incluir a sociedade no espaço cibernético e propiciar o acesso ao EAD. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir aulas de filosofia, com enfoque em debate e reflexão, de modo a promover a autonomia do estudande e capacitá-lo para o ensino remoto. Dessa maneira, poder-se-á tornar realidade o direito universal à educação, idealizado na Carta Magna.