Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 07/01/2021

O artigo 5º da Constituição federal de 1988 defende o direito à educação como inerente a todos os cidadãos. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observam os desafios da educação a distância no Brasil, tais como a falta de equipamentos eletrônicos e internet. Como causa para tal impasse, destaca-se a desigualdade social presente no país. Provocam-se, pois, impactos na vida do estudante que encontra dificuldades para se inserir no mercado de trabalho e ascender socialmente. Logo, medidas devem ser adotadas para mudar essa realidade.

Em primeira instância, é necessário entender a causa desse problema. Sendo assim, como consta nos livros de história, durante o período colonial brasileiro o acesso à alfabetização era restringido apenas aos aristocratas, — a parcela da população composta por nobres portugueses — que se apoderaram da educação para usá-la como mecanismo de perpetuação de seus interesses econômicos. Nessa perspectiva, é possível afirmar que esse contexto persiste no Brasil contemporâneo, o que pode ser comprovado por meio de dados disponibilizados em 2020, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em que 46 milhões de brasileiros não tinham internet em casa. Desse total de pessoas, 45% explicam que a falta de acesso acontece porque o serviço é muito caro e para 37% a falta de equipamentos é o impecílio. Dessa forma, considerando a realidade de brasileiros que trabalham ou que vivem no interior e em comunidades ribeirinhas, em que o ensino a distância seria a única opção possível, este não é um recurso asseguradamente acessível.

Em segundo lugar, é preciso considerar as consequências geradas por essa problemática. Nesse sentido, o educador Paulo Freire desenvolveu a obra “Pedagogia do Oprimido” e defendeu que a educação seria libertadora, bem como capaz de oferecer novas perspectivas aos indivíduos. Desse modo, é possível afirmar que o cidadão que não possui acesso ao ensino a distância, sofrerá com a impossibilidade de ascender economicamente, uma vez que o ensino superior e o mercado de trabalho formal não serão acessíveis. Portanto, essa pessoa estará submissa à opressão exposta por Freire.

Diante dos fatos expostos, é evidente que o ensino a distância precisa ser democratizado no Brasil. Para isso, o Ministério da Cidadania deve desenvolver um programa de apoio financeiro, similar ao Bolsa Família, por meio de parte dos impostos coletados pelo governo federal, a fim de garantir uma quantia os estudantes impossibilitados de estudar presencialmente. Assim, será possível a compra de um pacote de internet e equipamentos pelos estudantes. Ademais, o programa deve ser divulgado nas mídias televisivas, em horário nobre, para obter maior alcance. Dessa forma, o ensino se tornará mais acessível e o direito à educação presente na Carta Magna de 1988 será cumprido.