Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Em sua obra “Utopia”, Thomas Morus identifica a realização de um lugar perfeitamente harmônico, ideal e livre de problemas, no qual o bem-estar físico, social e mental é garantido. Entretanto, na atual conjuntura sociopolítica brasileira, a realidade vivida é o oposto àquela pregada pelo autor, já que problemas de cunho educacional, como a educação a distância (EaD), são imbróglios para a concretização da sociedade descrita. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto de questões referentes à internet e à formação docente. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.
Em primeiro plano, é preciso analisar a acessibilidade ao instrumento promovedor dessa modalidade de ensino: a internet. Logo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à essa rede de informações, de maneira que o índice é maior incrementado nas regiões interioranas. Com isso, a diferença de disponibilidade desse artifício entre os locais metropolitanos e o interior brasileiro é acentuada, de forma a dificultar a formação profissional em lugares remotos, como também a monopolizar e a concentrar a garantia da educação nos grandes centros urbanos. Por conseguinte, a democratização da internet para a concretização da EaD, bem como o achegar-se ao pensamento morusiano, é indispensável.
Outrossim, a observação da qualidade da formação de docentes a distância é mister. Por consequência, medidas que contribuam para a intensificação e para a profissionalização do indivíduo que ensina, assim como a construção de um lugar perfeito, são obrigatórias. Assim, de acordo com a organização Todos pela Educação, o desempenho dos profissionais com diplomas eletrônicos tem sido pior do que o dos formados presencialmente, além de apontar a falta de prática como o principal entrave. Dessarte, as habilidades e as competências dos formandos “online” requeridas para que as suas capacidades como professor sejam efetivadas não são alcançadas, de modo a exibir as desigualdades e a disparidade qualitativa de ambas as modalidades de ensino abordadas.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Diante disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações deve promover a distribuição da internet voltada às localidades interioranas, com a contratação de empresas privadas de serviços de telecomunicações. Por fim, atingir-se-á a igualdade concernente ao ensino a distância e a aproximação da sociedade utópica. Não obstante, é plausível que os Institutos de Ensino Superior - órgãos primordiais para o avanço educacional - criem um sistema de qualificação e de supervisão profissional, com aulas invertidas - dadas pelo aluno -, para que a capacidade docente desse seja desenvolvida.