Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Em uma nota oficial lançada em 2011, a ONU declarou o acesso a internet o Direito Humano do século XXI, considerando todas as possibilidades de ascensão social, política e econômica oferecidas por essa ferramenta. Além dessas possibilidades em si, observa-se também a instensificação dessa importância a partir da ascensão do ensino virtual no mundo e especialmente na realidade brasileira caracterizada por uma desigualdade de oportunidades. Apesar dessas perspectivas positivas oferecidas pelas plataformas digitais, nota-se no Brasil a perpetuação da exclusão social a partir da exclusão digital causada principalmente pela limitação no qual diz respeito a cobertura e a qualidade de internet, bem como o baixo domínio dessa tecnologia não só pelos professores, mais também pelos alunos.

Entre as diversas funções democratizadoras potencialmente exercidas pela educação à distância no Brasil, destaca-se a maior acessibilidade ao ensino a partir dessa plataformas. Um país de tão grande extensão, faz com que regiões remotas não contém com estruturas educacionais adequadas. Outra potencialidade dessa forma de educação é a sua multimodalidade, pois nessas plataformas podem ser exploradas varias ferramentas, como músicas, vídeos, e até mesmo a interação entre os alunos. Isso corresponderia ao conceito de multimodalidade desenvolvida pelo filósofo francês cotemporâneo, Pierrie Lévy, em sua obra “a cybercultura”.

De nada adianta todas essas potencialidades no entanto,  se a exclusão social se converte em exclusão digital. Considerando que, as grandes extensões brasileiras, frequentemente são traduzidas em limitação quanto a cobertura das redes de internet, e em alguns casos quando há esse serviço, há baixa qualidade e baixa velocidade do atendiemento das necessidades do usuário. Além disso, constantemente, o custo desse serviço supera as possibilidades financeiras da maior parte da população brasileira, tendo em vista o baixo valor da renda per capita nacional. Dessa forma, conforme afirmado por Pierrie Lévy, “a cada novas ferramentas, surgem novas formas de exclusão”.

Desse modo, com vistas à diminuir a exclusão causada pela limitação na cobertura e na qualidade de internet no Brasil, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia, estabeleça os chamados “Hotpots” de acesso à internet. Pontos de conectividade gratuita em locais públicos, como praças e parques, e isso pode ser feito por meio de uma parceria com as operadora. Para reduzir por sua vez, a falta de domínio tecnologico, seja dos docentes, seja dos discentes, é necessário que, antes da implementação da educação à distância no Brasil, o Ministério da Educação, promova a alfabetização digital, por meio de cursos oferecidos não apenas na modalidade virtual, mais também dentro das ecolas e centros comunitários, especialmente para os indivíduos mais atingidos pela exclusão digital.