Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil

Enviada em 29/12/2020

Consoante o artigo 205 da Constituição Federal, a educação, direito de todos e dever do Estado, será promovida e incentivada, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para exercício da cidadania e sua formação profissional. Nessa perspectiva, o ensino a distância é uma importante ferramenta de acesso e flexibilização dos saberes. Todavia, ainda que  potencial de alcance seja maior, a modalidade a distância encontra, na sua maior vantagem, o seu maior desafio: a necessidade de manter uma aproximação moral da realidade.

Mormente, vale ressaltar que o ensino remoto possui a capacidade de atingir pessoas e regiões que se encontram a margem da infraestrutura presencial. Devido a enorme desigualdade econômica do Brasil, a realidade nacional é diversa, necessitando, assim, particularidades de conhecimento e estrutura. Segundo o filósofo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação deve aproximar-se da realidade do indivíduo, tornando-a, desse modo, libertadora e não bancária. Nesse cenário, o ensino a distância proporciona, mediante o uso da tecnologia, uma maior flexibilização no acesso e no tipo de saberes disponíveis. Dessarte, torna-se mais fácil adequar o ensino de acordo com a realidade local, rompendo o ciclo de depósito de conhecimentos de classes dominantes.

Contudo, a mesma estrutura que possibilita o maior acesso e flexibilização do currículo, pode, também, promover um distanciamento moral da realidade. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, na obra “Cegueira Moral”, a educação hodierna possui um foco, majoritariamente, técnico, negligenciando, assim, o aspecto humano e as demandas da coletividade. Logo, visto que, por definição, o ensino remoto não exige um contato próximo com o outro, há o risco de ocorrer um distanciamento moral e empático por parte dos usuários.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Destarte, o Ministério da Educação, por meio de parcerias com as instituições de ensino, deve promover cursos e palestras, a fim de promover grades curriculares de cursos a distância que mantenham maior proximidade com aspectos éticos e morais. Esses cursos devem orientar a inserção de disciplinas relacionadas à ética e encontros presenciais periódicos sempre que possível. Assim, o ensino a distância cumprirá o seu papel na educação e o direito constitucional será efetivado.