Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, do escritor José Saramago, declara-se: “Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”. Desse modo, destaca-se a possibilidade de ações que potencializem olhar crítico e ativo para com os inúmeros percalços da sociedade. Infelizmente, existem situações nas quais práticas errôneas são adotadas, como nas perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil. Assim, esse entrave elucida imensuráveis facetas perniciosas (como a dificuldade de acesso aos equipamentos tecnológicos e a falta de capacitação no âmbito educacional), o que exige atenção ao panorama sociocultural fortemente negligenciado.
A princípio, segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda, as raízes de formação do pensamento social são denotadas por uma cordialidade. Sendo assim, isso permite que agruras como os infortúnios dos desafios da educação a distância no Brasil sejam tratados de forma velada. Nessa lógica, a desigualdade social no Brasil revela-se como uma mazela profunda, pois, por mais que o ensino a distância seja uma alternativa mais barata, a população de baixa renda apresenta dificuldade no acesso às tecnologias necessárias para estudar de forma virtual. Dessa forma, tendo em vista a cordialidade expressa por Sérgio, se ações que visem combater tal problemática não forem adotadas, dificilmente a realidade sociocultural será alterada.
Paralelo a isso, de acordo com o educador Paulo Freire, “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Com isso, percebe-se a importância do ato de ensinar, como o caminho para a produção e construção de conhecimento. Entretanto, no paradigma da nova forma de ensino a distância, por meio das ferramentas digitais, revela-se a dificuldade de alguns profissionais em se adaptarem às novas tecnologias, esses, são educadores que não possuem familiaridade a grande gama de recursos que a tecnologia oferece. Nesse sentido, evidencia-se a necessidade de esforços para mudar essa realidade.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para tanto, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Cidadania, devem investir recursos, por meio do planejamento orçamentário anual, na criação de treinamentos aos educadores, de modo a familiarizá-los às novas ferramentas de ensino a distância, bem como promover o acesso da população de baixa renda aos dispositivos tecnológicos. Somente assim, será possível aumentar as perspectivas e combater os desafios da educação a distância no Brasil.