Perspectivas e desafios da educação a distância no Brasil
Enviada em 02/01/2021
A Revolução Técnico-Científico-Informacional (RTCI), iniciada a década de 1970, potencializou a velocidade do fluxo de dados e conhecimentos por meio das novas tecnologias, como a internet. Nesse viés, observa-se no atual contexto brasileiro que a educação a distância — EAD — foi amplamente beneficiada por essas inovações, haja vista a praticidade e a flexibilidade de tempo e espaço oferecidas por elas. No entanto, essa modalidade de aprendizagem, apesar de muitos benefícios, ainda enfrenta alguns obstáculos, dentre os quais se destacam: a dificuldade de acesso às ferramentas fornecedoras desse tipo de ensino pelos mais pobres e a redução da sociabilização.
Com base nesse cenário, cabe ressaltar a condição socioeconômica precária de muitas pessoas como barreira a acessibilidade dos meios fundamentais ao processo educativo de forma remota. Acerca disso, segundo a Teoria Populacional Reformista do sociólogo alemão Karl Marx, a má distribuição de recursos resulta em péssimas condições de vida. Sob essa ótica, vê-se uma aproximação desse pensamento a atual realidade do EAD no país, uma vez que os equipamentos eletrônicos, como computadores e tablets, não podem ser adquiridos pelos cidadãos mais carentes, a julgar pelos preços elevados dessas ferramentas. Logo, o desenvolvimento da cidadania e dos conhecimentos proporcionados pela educação ficará restrito e a exclusão social será amplificada.
Evidencia-se, ainda, outro fator como responsável pela problemática enfrentada pela instrução fora do ambiente presencial: a diminuição dos laços e interações entre indivíduos. A esse respeito, de acordo com o antropólogo Edgar Morin, a escola é um ambiente dotado de uma complexidade de saberes, tendo em vista a enorme diversidade de sujeitos e de culturas em interação. Sendo assim, percebe-se que essa ideia vai de encontro à proposta do ensino a distância, pois como os estudos de cada aluno é feito em sua própria residência, a socialização — aspecto imprescindível da formação acadêmica — torna-se atrofiada. Por conseguinte, a educação mediada por tecnologias foca muito nos pontos da RTCI em detrimento da plena formação cidadã.
Portanto, urge que Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, em parceria com as Secretarias de Desenvolvimento Regional, deve criar centros de tecnologia gratuitos nas regiões mais carentes do Brasil por intermédio de verbas governamentais. Esses locais devem ter equipamentos tecnológicos, internet, e profissionais da informática, os quais irão auxiliar as comunidades no uso dos aparelhos a fim de facilitar o acesso ao ensino a distância com qualidade. Outrossim, o Ministério da Educação precisa incluir na grade do EAD pelo menos uma matéria de forma presencial com o fito de aumentar a sociabilização, de acordo com o ideal de Morin.